A utopia da tradução em Austerlitz: uma obra entre três linguagens

Este texto discute a relação entre os regimes visual e verbal na obra Austerlitz de W. G. Sebald (1944-2001) e propõe uma comparação entre a obra alemã e as traduções portuguesa e brasileira, analisando os deslocamentos de sentido que surgem quando, nas traduções, a disposição das fotografias é alt...

Full description

Saved in:
Bibliographic Details
Main Author: Isabel Florêncio Pape
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2014-10-01
Series:Cadernos de Tradução
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/35169
Tags: Add Tag
No Tags, Be the first to tag this record!
Description
Summary:Este texto discute a relação entre os regimes visual e verbal na obra Austerlitz de W. G. Sebald (1944-2001) e propõe uma comparação entre a obra alemã e as traduções portuguesa e brasileira, analisando os deslocamentos de sentido que surgem quando, nas traduções, a disposição das fotografias é alterada dentro do texto. Ao modo de Mieke Bal, o espaço de interação entre o legível e o visível é entendido como o espaço de entrecruzamento, suplementaridade e desdobramento de sentidos. Assim não há em Austerlitz uma relação de autonomia entre imagem e texto, mas sim de interdependência mútua, na qual a vitalidade semio-estética da obra se ancora. A comparação analítica de três passagens da obra pretende mostrar que, numa tradução, na qual estão envolvidos diferentes regimes de signos, certas mudanças na forma refletem não apenas em diferenças plásticas, mas também em mudanças simbólicas e conceituais. Se de um lado as análises pretendem elucidar a riqueza discursiva que se esconde na interface imagem-texto dentro da obra de Sebald, de outro revelam também quão complexa e utópica é a tarefa tradutora quando esta se confronta não apenas com as distâncias entre as línguas, mas também entre as linguagens. 
ISSN:1414-526X
2175-7968