VARIANTES GENÉTICAS DE RECEPTORES ATIVADOS POR PROLIFERAÇÃO DE PEROXISSOMOS (PPARS) ASSOCIADAS A EVENTOS CLÍNICOS EM UMA POPULAÇÃO COM ANEMIA FALCIFORME

Objetivos: Estudo observacional e transversal de uma população de indivíduos com anemia falciforme (AF) para investigar associações entre genótipos de genes PPAR s (receptores ativados por proliferação de peroxissomos) e condições clínicas. Metodologia: Os dados demográficos de indivíduos acompanhad...

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Main Authors: TNS Valente, GAF Soares, WA Peçanha, JPM Rigueira, C Velloso-Rodrigues
Format: Article
Language:English
Published: Elsevier 2024-10-01
Series:Hematology, Transfusion and Cell Therapy
Online Access:http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137924004401
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description Objetivos: Estudo observacional e transversal de uma população de indivíduos com anemia falciforme (AF) para investigar associações entre genótipos de genes PPAR s (receptores ativados por proliferação de peroxissomos) e condições clínicas. Metodologia: Os dados demográficos de indivíduos acompanhados no Hemocentro de Governador Valadares, MG, foram extraídos de registros médicos e avaliações clínicas aplicadas. As variáveis clínicas consideradas incluíram osteonecrose, esplenectomia, colelitíase, úlcera, complicações renais, dor crônica, crises de dor aguda e aplásticas relatadas no período de um ano. As genotipagens de variantes de PPARA rs4253747 (T>A), PPARG rs10865710 (C>G) e PPARG rs709158 (A>G) foram realizadas por qPCR com ensaios TaqMan® (ThermoFisher). Análises de associação entre os genótipos e desfechos clínicos foram feitas por testes de contingência ajustados para idade, calculada a razão de chances (RC) e o intervalo de confiança (IC), considerando nível de confiança de 95% e p-valor < 0,05. Resultados: 82 participantes com idade mínima de 6,47 anos, idade máxima de 24,35 anos com média de 16,8 anos; 56,10% do sexo feminino e 12,20% em regime de transfusões frequentes. Em regime de terapia com hidroxiureia (HU) estavam 68,3%, (90,91% > 2 anos, 3,64% entre em 1-2 anos e 5,45% < 1 ano). Os 5 desfechos clínicos com maior frequência no período foram: colelitíase 59,76%; crises álgicas 23,17%; osteonecrose 15,85%, comprometimento pulmonar 8,54% e doença renal crônica 8,54%. No modelo genético de dominância (AT+AA vs TT), os genótipos AT+AA de PPARA _rs4253747 foram associados a risco (OR = 1,36, IC 95% 1,01-1,83, p = 0,041) e os genótipos AT+TT, no modelo de recessividade (AT+TT vs AA), associados à proteção de osteonecrose (OR = 0,428, IC 95% 0,256-0,716, p < 0,001); à risco de crises álgicas (OR = 2,11, IC 95%1,53-2,89, p < 0,001) e colelitíase (OR = 1,55, IC 95% 1,12-2,14, p = 0,008). Os genótipos GG+CG de PPARG_ rs10865710, no modelo de dominância (GG+CG vs CC), foram associados a risco para osteonecrose (OR = 2,63, IC 95% 1,95-3,54, p < 0,001) e os genótipos CC+CG, em modelo de recessividade, associados à proteção de osteonecrose (OR = 0,466, IC 95% 0,260-0,837, p = 0,009) e colelitíase (OR = 0,446, IC 95% 0,315-0,63, p < 0,001). Discussão: Os resultados indicam que certos genótipos de PPARs, codificadores de fatores de transcrição alvo de genes que controlam diversos processos homeostáticos envolvendo inflamação, adipogênese, metabolismo lipídico e de glicose, estão associados com osteonecrose, colelitíase e crises álgicas em indivíduos com AF. A presença do alelo A-rs4253747 (PPARA) ou G-rs10865710 (PPARG) apresenta risco aumentado de osteonecrose, enquanto a presença dos alelos alternativos são protetores para esse desfecho. A necrose avascular, que mais comumente acomete as cabeça do fêmur e do úmero, representa um importante evento na AF, com forte repercussão em limitação física e/ou incapacidade e dor. Conclusão: Nossas análises sugerem que variantes genéticas de PPAR s podem ser moduladores de complicações clínicas em indivíduos com AF. Para confirmar nossos resultados e propor um mecanismo de como PPARs estão envolvidos na gravidade clínica, será necessário aumentar a amostra e realizar novos estudos, como os de expressão gênica incluindo fatores modificadores da AF nas análises.
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