“Se é para que escrevam mal de mim, que o façam completa e inteiramente”: o julgamento transnacional e transtemporal do qual Kan’no Sugako é (ainda) refém
Este texto investiga a manutenção de uma transnacional e transtemporal percepção deletéria com a qual se segue tematizando hegemonicamente a obra e a vida de Kan’no Sugako (1881-1911), jornalista, anarquista e ativista feminista no final do Período Meiji (1868-1912). Em 1911, Kan’no foi acusada de...
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| Published: |
Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
2025-07-01
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| Series: | Babel |
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| Online Access: | https://www.revistas.uneb.br/index.php/babel/article/view/23220 |
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Este texto investiga a manutenção de uma transnacional e transtemporal percepção deletéria com a qual se segue tematizando hegemonicamente a obra e a vida de Kan’no Sugako (1881-1911), jornalista, anarquista e ativista feminista no final do Período Meiji (1868-1912). Em 1911, Kan’no foi acusada de Alta Traição por planejar o assassinato do imperador e, após julgamento, executada por garroteamento. Nos oito dias entre a sentença e a execução, escreveu Digressões a caminho da morte, seu diário de cárcere. Argumenta-se que, apesar de seu diário e mesmo em textos simpáticos à autora, Kan’no segue vítima de um julgamento moral e criminal iniciado pelo poder estatal. Enquanto exemplo, há a autobiografia de seu ex-companheiro Arahata Kanson (1887-1981), amplamente utilizada em estudos biográficos sobre a autora. Como principal foco analítico deste texto, examina-se a tradução de sua obra para o inglês por Mikiso Hane (1922-2003), analisando como sua voz é mediada e as implicações disso. Ao contrastar o original e a tradução, discute-se sobre questões acerca da responsabilidade de leitura e a relação disto com as escolhas de Hane. Conclui-se que Kan’no continua sujeita a um julgamento que transcende fronteiras nacionais e temporais, perpetuando-se até mesmo em discursos críticos e dissidentes.
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