Os Estados Unidos e as negociações sobre a criação do posto de Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU

A literatura sobre direitos humanos normalmente credita às mobilizações das ONGs lideradas pela Anistia Internacional a aprovação consensual, em 1993, da criação do posto de Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU, o principal responsável por direitos humanos dentro da ONU. Contudo, há outro i...

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Main Author: Matheus Carvalho Hernandez
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2017-12-01
Series:Esboços
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/article/view/57462
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Description
Summary:A literatura sobre direitos humanos normalmente credita às mobilizações das ONGs lideradas pela Anistia Internacional a aprovação consensual, em 1993, da criação do posto de Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU, o principal responsável por direitos humanos dentro da ONU. Contudo, há outro importante ponto a ser considerado para compreender essa aprovação: a mudança de posição dos EUA em relação à pauta. Durante a Guerra Fria, os EUA eram apenas discretos apoiadores da proposta em razão da priorização dos cálculos geopolíticos do período. Terminada a Guerra Fria, a sistemática oposição da URSS à criação do posto desapareceu. Assim, a administração Clinton, que pretendia se mostrar como a principal responsável por uma mudança positiva na política externa de direitos humanos do país em comparação à antecessora H. Bush, tornou-se a principal apoiadora da criação do posto de Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU. O objetivo deste artigo não é negar a relevância das mobilizações das ONGs em 1993, mas apenas evidenciar como aquele contexto histórico criou as condições para que os EUA pragmaticamente assumissem a liderança da proposta.
ISSN:1414-722X
2175-7976