O processo de mudança estrutural da economia brasileira no limiar do século XXI

RESUMO A economia brasileira passou por uma significativa transformação estrutural desde o final do século XX, intensificada entre 1998 e 2019, caracterizada pela desindustrialização prematura e pela amplificação dos efeitos da Doença de custos de Baumol. Esse processo ocorreu em um contexto de urb...

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Main Authors: Mariana Correia Guedes, Marcelo Arend
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal do Rio de Janeiro 2025-06-01
Series:Revista de Economia Contemporânea
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482025000100204&lng=pt&tlng=pt
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Marcelo Arend
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description RESUMO A economia brasileira passou por uma significativa transformação estrutural desde o final do século XX, intensificada entre 1998 e 2019, caracterizada pela desindustrialização prematura e pela amplificação dos efeitos da Doença de custos de Baumol. Esse processo ocorreu em um contexto de urbanização acelerada e transferência da força de trabalho predominantemente do setor primário para o terciário, favorecendo uma especialização produtiva centrada em commodities agrícolas e minerais, bem como em serviços tradicionais de baixa produtividade. A interação desses fatores consolidou uma trajetória de crescimento econômico reduzido, na qual a indústria, historicamente responsável por impulsionar ganhos de produtividade, apresentou um declínio persistente, enquanto os segmentos de serviços intensivos em conhecimento permaneceram periféricos. Utilizando a decomposição shift-share da produtividade e uma adaptação da classificação setorial por intensidade tecnológica da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a presente análise evidencia que a economia brasileira não estabeleceu uma base industrial mínima capaz de sustentar um crescimento econômico robusto, destoando de padrões clássicos e tardios de industrialização. No século XXI, o setor agropecuário e extrativista manteve alta produtividade, mas sem promover encadeamentos produtivos capazes de dinamizar a economia. Assim, a Doença de Baumol no Brasil assume contornos mais severos, combinando a estagnação industrial e de serviços tradicionais com um crescimento agropecuário dissociado da geração de empregos.
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spelling doaj-art-e236ba9e16a74cacb5753a8637aeb48e2025-08-20T03:11:03ZengUniversidade Federal do Rio de JaneiroRevista de Economia Contemporânea1980-55272025-06-012910.1590/19805527252902O processo de mudança estrutural da economia brasileira no limiar do século XXIMariana Correia Guedeshttps://orcid.org/0000-0002-3284-0675Marcelo Arendhttps://orcid.org/0000-0002-5748-9690 RESUMO A economia brasileira passou por uma significativa transformação estrutural desde o final do século XX, intensificada entre 1998 e 2019, caracterizada pela desindustrialização prematura e pela amplificação dos efeitos da Doença de custos de Baumol. Esse processo ocorreu em um contexto de urbanização acelerada e transferência da força de trabalho predominantemente do setor primário para o terciário, favorecendo uma especialização produtiva centrada em commodities agrícolas e minerais, bem como em serviços tradicionais de baixa produtividade. A interação desses fatores consolidou uma trajetória de crescimento econômico reduzido, na qual a indústria, historicamente responsável por impulsionar ganhos de produtividade, apresentou um declínio persistente, enquanto os segmentos de serviços intensivos em conhecimento permaneceram periféricos. Utilizando a decomposição shift-share da produtividade e uma adaptação da classificação setorial por intensidade tecnológica da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a presente análise evidencia que a economia brasileira não estabeleceu uma base industrial mínima capaz de sustentar um crescimento econômico robusto, destoando de padrões clássicos e tardios de industrialização. No século XXI, o setor agropecuário e extrativista manteve alta produtividade, mas sem promover encadeamentos produtivos capazes de dinamizar a economia. Assim, a Doença de Baumol no Brasil assume contornos mais severos, combinando a estagnação industrial e de serviços tradicionais com um crescimento agropecuário dissociado da geração de empregos.http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482025000100204&lng=pt&tlng=ptMudança estruturalDesindustrialização prematuraDoença de BaumolProdutividadeEconomia brasileira
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