Histórias de crânios e o problema da classificação antropológica de Timor

Em 1882, a Universidade de Coimbra acolheu uma colecção de crânios humanos da ilha de Timor. O crânio era então tido como a principal base empírica para aferir similitudes e diferenças entre tipos humanos, abrindo assim caminho para o grande projecto de taxonomia das raças. No quadro do recém-criado...

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Main Author: Ricardo Roque
Format: Article
Language:English
Published: Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra 2008-09-01
Series:e-cadernos ces
Subjects:
Online Access:https://journals.openedition.org/eces/86
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Description
Summary:Em 1882, a Universidade de Coimbra acolheu uma colecção de crânios humanos da ilha de Timor. O crânio era então tido como a principal base empírica para aferir similitudes e diferenças entre tipos humanos, abrindo assim caminho para o grande projecto de taxonomia das raças. No quadro do recém-criado curso de antropologia, os crânios foram objecto de um estudo antropológico que concluía acerca da raça “Papua” dos povos timorenses. A posição etnológica de Timor era um problema sobre o qual não existia acordo entre investigadores. Em Portugal, na década de 1930, o estudo motivaria acesa controvérsia sobre a autenticidade da colecção e a classificação antropológica de Timor. Este texto explora este acontecimento, investigando a interacção entre a narração de histórias sobre crânios e a definição de uma classificação racial. O propósito é discutir o papel de práticas de retrospecção, de pequenas histórias, e de arquivos associados a colecções de museu na constituição de conhecimento científico.
ISSN:1647-0737