A zooterapia no Recife (Pernambuco): uma articulação entre as práticas e a história

A zooterapia é uma realidade ao longo da história das sociedades, embora seja relativamente pouco estudada. Este trabalho objetivou descrever e analisar o uso da fauna medicinal no Recife, partindo da identificação dos animais utilizados e das formas de indicação e preparo dos produtos zooterápicos,...

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Main Authors: Maria Letícia Vasconcelos da Silva, Ângelo Giuseppe Chaves Alves, Argus Vasconcelos de Almeida
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2004-01-01
Series:Biotemas
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/23271
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Summary:A zooterapia é uma realidade ao longo da história das sociedades, embora seja relativamente pouco estudada. Este trabalho objetivou descrever e analisar o uso da fauna medicinal no Recife, partindo da identificação dos animais utilizados e das formas de indicação e preparo dos produtos zooterápicos, estabelecendo um paralelo das práticas populares atuais com a história da zooterapia na região. Os dados foram obtidos através de entrevistas abertas e semi-estruturadas, realizadas com especialistas populares em mercados públicos recifenses. Para revisão histórica, utilizaram-se registros do século XVII, das obras dos naturalistas nassovianos Guilherme Piso e Jorge Marcgrave. Registraram-se 18 etnocategorias taxonômicas de animais, usadas na medicina popular atual para tratamento de 12  enfermidades popularmente reconhecidas. As "receitas" envolvem recomendação de dosagens, associações com produtos fitoterápicos e regras culturais. Dentre as 18 etnocategorias taxonômicas, nove apresentaram similaridade com as registradas no século XVII. Porém, na maioria dos casos, as prescrições populares atuais diferem das do período colonial. Os resultados indicam forte presença da zooperapia no dia-a-dia, urna vez que as doenças citadas integram o cotidiano das camadas economicamente menos favorecidas da sociedade. Aprofundamentos nestes conhecimentos, crenças e praticas populares poderão contribuir para pesquisas médicas e farmacológicas e para a compreensão das relações com os recursos naturais e sua conservação.
ISSN:0103-1643
2175-7925