Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero

O artigo tem por objetivo analisar a possibilidade de se conceber o Direito Penal como aliado no enfrentamento do problema da violência de gênero no contexto brasileiro. A pesquisa se desenvolve a partir de uma revisão bibliográfica e adota como marcos teóricos Michel Foucault e Judith Butler, críti...

Full description

Saved in:
Bibliographic Details
Main Authors: Clara Maria Roman Borges, Bruna Amanda Ascher Razera
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2021-03-01
Series:INTERthesis
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/75974
Tags: Add Tag
No Tags, Be the first to tag this record!
_version_ 1850276017532305408
author Clara Maria Roman Borges
Bruna Amanda Ascher Razera
author_facet Clara Maria Roman Borges
Bruna Amanda Ascher Razera
author_sort Clara Maria Roman Borges
collection DOAJ
description O artigo tem por objetivo analisar a possibilidade de se conceber o Direito Penal como aliado no enfrentamento do problema da violência de gênero no contexto brasileiro. A pesquisa se desenvolve a partir de uma revisão bibliográfica e adota como marcos teóricos Michel Foucault e Judith Butler, críticos do discurso feminista universalizante que defende a criminalização da violência de gênero e o incremento do poder punitivo, tendências, estas, características de tempos conservadores. Inicialmente as Leis Maria da Penha e do Feminicídio são criticamente analisadas, de modo a demonstrar como o discurso jurídico-penal, legitimado por demandas feministas, não apenas representa e reconhece os sujeitos merecedores de proteção, mas produz as identidades que serão protegidas pelo Estado, impondo requisitos para que a mulher goze dessa proteção. Deste modo, verifica-se que o discurso criminalizador, impulsionado por discursos feministas hegemônicos conservadores, acaba por proteger exclusivamente a mulher, cis, heterossexual, paradoxalmente negando direitos às mulheres trans, lésbicas, por exemplo, que escapam aos padrões de gênero, desejo e sexualidade impostos pelo processo de heteronormalização. Por fim, para superar tal paradoxo, reflete-se, a partir do pensamento foucaultiano, sobre a possibilidade da concepção de um direito novo, construído a partir de uma perspectiva pós-identitária, apta a fomentar práticas de resistência às tecnologias heteronormalizadoras e excludentes.
format Article
id doaj-art-d4ac4309d5544ad2bebcef546ebaa127
institution OA Journals
issn 1807-1384
language English
publishDate 2021-03-01
publisher Universidade Federal de Santa Catarina
record_format Article
series INTERthesis
spelling doaj-art-d4ac4309d5544ad2bebcef546ebaa1272025-08-20T01:50:27ZengUniversidade Federal de Santa CatarinaINTERthesis1807-13842021-03-011810.5007/1807-1384.2021.e75974Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero Clara Maria Roman Borges0https://orcid.org/0000-0003-3655-2774Bruna Amanda Ascher Razera1https://orcid.org/0000-0003-3865-1207Universidade Federal do ParanáUniversidade Federal do ParanáO artigo tem por objetivo analisar a possibilidade de se conceber o Direito Penal como aliado no enfrentamento do problema da violência de gênero no contexto brasileiro. A pesquisa se desenvolve a partir de uma revisão bibliográfica e adota como marcos teóricos Michel Foucault e Judith Butler, críticos do discurso feminista universalizante que defende a criminalização da violência de gênero e o incremento do poder punitivo, tendências, estas, características de tempos conservadores. Inicialmente as Leis Maria da Penha e do Feminicídio são criticamente analisadas, de modo a demonstrar como o discurso jurídico-penal, legitimado por demandas feministas, não apenas representa e reconhece os sujeitos merecedores de proteção, mas produz as identidades que serão protegidas pelo Estado, impondo requisitos para que a mulher goze dessa proteção. Deste modo, verifica-se que o discurso criminalizador, impulsionado por discursos feministas hegemônicos conservadores, acaba por proteger exclusivamente a mulher, cis, heterossexual, paradoxalmente negando direitos às mulheres trans, lésbicas, por exemplo, que escapam aos padrões de gênero, desejo e sexualidade impostos pelo processo de heteronormalização. Por fim, para superar tal paradoxo, reflete-se, a partir do pensamento foucaultiano, sobre a possibilidade da concepção de um direito novo, construído a partir de uma perspectiva pós-identitária, apta a fomentar práticas de resistência às tecnologias heteronormalizadoras e excludentes. https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/75974
spellingShingle Clara Maria Roman Borges
Bruna Amanda Ascher Razera
Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
INTERthesis
title Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
title_full Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
title_fullStr Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
title_full_unstemmed Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
title_short Paradoxos feministas: o discurso punitivsta contra a violência de gênero
title_sort paradoxos feministas o discurso punitivsta contra a violencia de genero
url https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/75974
work_keys_str_mv AT claramariaromanborges paradoxosfeministasodiscursopunitivstacontraaviolenciadegenero
AT brunaamandaascherrazera paradoxosfeministasodiscursopunitivstacontraaviolenciadegenero