Planejamento estratégico em saúde no Brasil

Este estudo é de caráter reflexivo e tem como objetivo revisitar conceitos e marcos históricos do planejamento em saúde no Brasil, refletindo sobre sua ascensão e subsequente desprestígio. O Planejamento em Saúde na América Latina surgiu inspirado pela racionalidade econômica, tendo como modelo o M...

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Main Authors: Deborah Carvalho Malta, Fausto Pereira dos Santos
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Minas Gerais 2025-04-01
Series:REME: Revista Mineira de Enfermagem
Subjects:
Online Access:https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/49473
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Description
Summary:Este estudo é de caráter reflexivo e tem como objetivo revisitar conceitos e marcos históricos do planejamento em saúde no Brasil, refletindo sobre sua ascensão e subsequente desprestígio. O Planejamento em Saúde na América Latina surgiu inspirado pela racionalidade econômica, tendo como modelo o Método CENDES/OPAS, buscando alcançar melhores resultados. No Brasil, na década de 60, o planejamento normativo utilizou a programação centralizada para responder a problemas prioritários. Como resposta à ditadura e à crise econômica, o Planejamento Estratégico (PE) começou a ser visto como uma alternativa eficaz ao normativo, com o intuito de estabelecer novas formas democráticas e participativas de planejar as instituições. Mario Testa abordava o PE na perspectiva da transformação e construção histórica de uma nova sociedade. Carlos Matus destacava a análise situacional como ferramenta fundamental para a governabilidade e melhoria nas respostas e capacidade de governo. A análise institucional buscou novos arranjos institucionais, visando ampliar o diálogo e criar corresponsabilidades entre os indivíduos no processo de transformação e democratização da organização. Entre os anos 80 e 2000, esses métodos foram amplamente utilizados nos currículos de graduação, pós-graduação e serviços. Os métodos e instrumentos do PE foram importantes na implantação do SUS e na promoção de sociedades mais democráticas e participativas, revelando sua ascensão e prestígio. Progressivamente, o instrumental do PE foi substituído pela ênfase no desempenho e no gerencialismo, com o progressivo abandono das análises de contextos e políticas, caracterizando seu declínio, o que pode ser mensurado na academia pela redução das publicações, pesquisas e ensino sobre a temática.
ISSN:1415-2762
2316-9389