“Escarnece-se dos europeus por comerem grãos de leguminosas e verduras, considerados por eles como comida de cavalo”: alimentação e teoria dos quatro estágios na History of Brazil (1810-1819) de Robert Southey

RESUMO Ao menos desde as teorias hipocráticas, a alimentação teve uma posição de destaque para o entendimento de algumas das transformações que ocorriam nas pessoas. Em finais do século XVIII e início do XIX, a justificativa da tradição greco-romana para o consumo ou não de certos alimentos havia pe...

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Main Author: Flávia Florentino Varella
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Series:Topoi
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-101X2017000300563&lng=en&tlng=en
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Summary:RESUMO Ao menos desde as teorias hipocráticas, a alimentação teve uma posição de destaque para o entendimento de algumas das transformações que ocorriam nas pessoas. Em finais do século XVIII e início do XIX, a justificativa da tradição greco-romana para o consumo ou não de certos alimentos havia perdido parte de sua força argumentativa, abrindo caminho para outras formas de entender os alimentos. A importância e o papel da alimentação foram reformulados para servir a outros contextos discursivos e a novas demandas. Nesse sentido, os hábitos alimentares, quando aliados à teoria dos estágios da sociedade, que considerava o modo de subsistência como fator central para explicar a diversidade das culturas e dos povos, já não diziam tanto sobre a mutabilidade do corpo, mas sim sobre o grau de civilização das sociedades. Este artigo evidencia o destaque dado à alimentação dentro da articulação da teoria dos quatro estágios feita por Robert Southey em sua History of Brazil (1810-1819) enquanto argumento discursivo sobre a civilização do indígena e a sobrevivência e/ou degeneração dos estancieiros platenses e gaúchos.
ISSN:2237-101X