Quadrinhos de guerra e olhar colonial: teorizando o visual nas Relações Internacionais

O objetivo deste texto é identificar como as histórias em quadrinhos, por meio de seus elementos visuais, (re)produzem olhares coloniais sobre os conflitos internacionais. O giro estético nas Relações Internacionais parte da premissa de que os artefatos visuais — como imagens, filmes, vídeos, quadr...

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Main Authors: Enzo Lenine, J. Lucas Cunha
Format: Article
Language:English
Published: Universidad del Rosario, Bogota 2025-07-01
Series:Desafíos
Subjects:
Online Access:https://revistas.urosario.edu.co/index.php/desafios/article/view/15266
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Description
Summary:O objetivo deste texto é identificar como as histórias em quadrinhos, por meio de seus elementos visuais, (re)produzem olhares coloniais sobre os conflitos internacionais. O giro estético nas Relações Internacionais parte da premissa de que os artefatos visuais — como imagens, filmes, vídeos, quadrinhos e performances — moldam a política internacional, bem como nossa compreensão dos fenômenos internacionais e nossas reações a eles. Nesse campo, os quadrinhos emergem como um importante sítio analítico de entrelaçamento entre os fenômenos internacionais e a opinião pública, seja porque representam eventos e situações mediante a combinação imagem-texto, seja porque (re)produzem, em sua estrutura, vieses e preconceitos — alguns deles fundados em olhares coloniais. Neste artigo, propomos caminhos teóricos para compreender os significados do visual e suas conexões com o internacional a partir de uma perspectiva pós-colonial. Ademais, realizamos um breve estudo de caso sobre o conflito israelo-palestino, com base nos quadrinhos Palestina, de Joe Sacco, e os aportes metodológicos de interpretação composicional. Os referenciais teóricos aqui desenvolvidos demonstram que, mesmo em narrativas contra-hegemônicas, o olhar colonial pode ser reproduzido por meio das representações visuais que negam a agência dos indivíduos subalternizados, fossilizam sua imagem em torno de uma concepção ocidentalizada do que é o subalterno autêntico, além de advogarem uma redenção ocidental semelhante às missões evangelizadoras.
ISSN:2145-5112