Condição Glitch – Da Falha Como Competência

A crise epistemológica sugerida pela “incapacidade de as imagens representarem sujeitos e objetos” que Anthony Downey refere (2020), numa era aqui entendida como pós-representacional e pós-digital, parece perturbar três eixos subjacentes a uma metafísica de presença antropocêntrica e dualista, muit...

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Bibliographic Details
Main Author: Mafalda Lencastre
Format: Article
Language:English
Published: Centro de Estudos de Teatro 2025-06-01
Series:Sinais de Cena
Subjects:
Online Access:https://revistas.rcaap.pt/sdc/article/view/40977
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Description
Summary:A crise epistemológica sugerida pela “incapacidade de as imagens representarem sujeitos e objetos” que Anthony Downey refere (2020), numa era aqui entendida como pós-representacional e pós-digital, parece perturbar três eixos subjacentes a uma metafísica de presença antropocêntrica e dualista, muito queridos no campo das artes: representação, subjetividade e visibilidade. Proponho uma revisitação dos pressupostos que enformam a Ontologia da performance, de Peggy Phelan, percorrendo o desaparecimento como ferramenta artística alternativa às formas de representação frequentemente visuais ou, no caso das artes performativas, também presenciais. Este desaparecimento reconhece a influência de teorias pós-humanistas e orientadas para o objeto (do cyberfeminism à OOO e OOF) e acolhe a noção de glitch como uma das respostas à irrepresentabilidade na construção de novas subjetividades assentes em sujeitos libertos do “mundo à sua imagem”. A metafísica glitch é a estratégia do desaparecimento tornada consciência de um humano pós-humanista, ontologicamente mais preparado para lidar com o mundo-além-de-si, onde coexiste com outros objetos. As imagens não representarem nem sujeitos nem objetos não é sintoma de falha de competências, é sintoma da falha como competência.
ISSN:1646-0715
2184-9552