Retorno ao espontâneo: a naturalização do humano no conto "Demônios", de Aluísio Azevedo
Esse estudo tem por objetivo analisar o conto “Demônios”, de Aluísio Azevedo, buscando demonstrar como essa narrativa questiona o romantismo e se apropria de uma estética marcadamente naturalista. Nesse processo, observa-se que a obra retoma, amplia e ressignifica pelo menos três elementos identific...
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| Published: |
Universidade Federal de Santa Catarina
2025-03-01
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| Series: | Anuário de Literatura |
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| description | Esse estudo tem por objetivo analisar o conto “Demônios”, de Aluísio Azevedo, buscando demonstrar como essa narrativa questiona o romantismo e se apropria de uma estética marcadamente naturalista. Nesse processo, observa-se que a obra retoma, amplia e ressignifica pelo menos três elementos identificados por Antonio Candido em O cortiço (1890), de Azevedo: a animalização do ser humano, a passagem de uma organização espontânea para outra dirigida e a representação do cortiço como uma alegoria do Brasil. Em “Demônios”, esses aspectos estão presentes, mas com evidentes adaptações, uma vez que temos um processo de desumanização mais radical, um retorno à condição espontânea da vida e a elaboração de uma história que se apresenta como alegoria da condição humana. Ao constatar essas relações entre o conto e o romance de Aluísio Azevedo, vê-se também que a transição do romantismo gótico para o naturalismo fantástico é um traço estilístico marcante da narrativa, revelando por meio do retorno ao espontâneo uma aceitação da força da natureza e um ceticismo em relação ao poder transformador da humanidade. Assim sendo, para o desenvolvimento desse estudo, além de Candido (1993), também foi necessário se subsidiar nas considerações de Bosi (1994), Sá (2019), Todorov (1980), entre outros.
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| spelling | doaj-art-9b555f12cea14963b2aa1df3200aae0c2025-08-20T02:50:44ZporUniversidade Federal de Santa CatarinaAnuário de Literatura1414-52352175-79172025-03-013010.5007/2175-7917.2025.e101098Retorno ao espontâneo: a naturalização do humano no conto "Demônios", de Aluísio AzevedoPaulo Guilhermino dos Santos0https://orcid.org/0000-0003-2677-4314Universidade Federal do Rio Grande do Norte Esse estudo tem por objetivo analisar o conto “Demônios”, de Aluísio Azevedo, buscando demonstrar como essa narrativa questiona o romantismo e se apropria de uma estética marcadamente naturalista. Nesse processo, observa-se que a obra retoma, amplia e ressignifica pelo menos três elementos identificados por Antonio Candido em O cortiço (1890), de Azevedo: a animalização do ser humano, a passagem de uma organização espontânea para outra dirigida e a representação do cortiço como uma alegoria do Brasil. Em “Demônios”, esses aspectos estão presentes, mas com evidentes adaptações, uma vez que temos um processo de desumanização mais radical, um retorno à condição espontânea da vida e a elaboração de uma história que se apresenta como alegoria da condição humana. Ao constatar essas relações entre o conto e o romance de Aluísio Azevedo, vê-se também que a transição do romantismo gótico para o naturalismo fantástico é um traço estilístico marcante da narrativa, revelando por meio do retorno ao espontâneo uma aceitação da força da natureza e um ceticismo em relação ao poder transformador da humanidade. Assim sendo, para o desenvolvimento desse estudo, além de Candido (1993), também foi necessário se subsidiar nas considerações de Bosi (1994), Sá (2019), Todorov (1980), entre outros. https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/101098ContoRomantismoNaturalismoAntonio CandidoAluísio Azevedo |
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