O filo-helenismo da bildung alemã e a invenção da Grécia Antiga como "berço do Ocidente"
Partindo de uma revisão historiográfica com ênfase na história dos conceitos, o objetivo do artigo é explorar a construção histórica da concepção de que a Grécia Antiga se constitui como precursora da "cultura ocidental". Para tanto, perpassa-se alguns processos históricos fundamentais pa...
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| Main Authors: | , |
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| Format: | Article |
| Language: | English |
| Published: |
Universidade Federal de Santa Catarina
2025-02-01
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| Series: | Esboços |
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| Online Access: | https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/article/view/101457 |
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| author | Dominique Vieira Coelho dos Santos Graziela Vansuita |
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Partindo de uma revisão historiográfica com ênfase na história dos conceitos, o objetivo do artigo é explorar a construção histórica da concepção de que a Grécia Antiga se constitui como precursora da "cultura ocidental". Para tanto, perpassa-se alguns processos históricos fundamentais para a consolidação de tal ideia, como o filo-helenismo e os estudos da antiguidade grega impulsionados por Johann Joachim Winckelmann no mundo de língua alemã; o desenvolvimento do romantismo alemão, entrelaçado à formulação de uma identidade cultural germânica frente às invasões napoleônicas à Prússia, que se apoiou sobre a idealização da cultura grega; a reforma do sistema educacional prussiano promovida por Wilhelm von Humboldt, fundamentada em uma concepção humanista que valorizava especialmente os estudos helênicos; o desenvolvimento da linguística histórico-comparativa; a ampliação dos estudos sobre as línguas indo-europeias; e o modelo ariano de interpretação da Grécia Antiga. Como resultado, compreendemos que a grande valorização atribuída à antiguidade grega foi concebida em língua alemã por volta do período do romantismo alemão e do surgimento da Universidade de Berlim, em 1810, mas a ideia foi ampliada para outros lugares da Europa e, não só a Grécia Antiga, mas a História Antiga no geral, passou a ser utilizada como sustentáculo da ideia de "cultura ocidental", que teria origem nessa suposta herança cultural grega.
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| issn | 1414-722X 2175-7976 |
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| publishDate | 2025-02-01 |
| publisher | Universidade Federal de Santa Catarina |
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| spelling | doaj-art-93b4c0dbc3d64c6d96912ee07aa746a22025-08-20T02:14:35ZengUniversidade Federal de Santa CatarinaEsboços1414-722X2175-79762025-02-01315810.5007/2175-7976.2024.e101457O filo-helenismo da bildung alemã e a invenção da Grécia Antiga como "berço do Ocidente"Dominique Vieira Coelho dos Santoshttps://orcid.org/0000-0002-0265-2921Graziela Vansuita0Universidade Regional de Blumenau - FURB Partindo de uma revisão historiográfica com ênfase na história dos conceitos, o objetivo do artigo é explorar a construção histórica da concepção de que a Grécia Antiga se constitui como precursora da "cultura ocidental". Para tanto, perpassa-se alguns processos históricos fundamentais para a consolidação de tal ideia, como o filo-helenismo e os estudos da antiguidade grega impulsionados por Johann Joachim Winckelmann no mundo de língua alemã; o desenvolvimento do romantismo alemão, entrelaçado à formulação de uma identidade cultural germânica frente às invasões napoleônicas à Prússia, que se apoiou sobre a idealização da cultura grega; a reforma do sistema educacional prussiano promovida por Wilhelm von Humboldt, fundamentada em uma concepção humanista que valorizava especialmente os estudos helênicos; o desenvolvimento da linguística histórico-comparativa; a ampliação dos estudos sobre as línguas indo-europeias; e o modelo ariano de interpretação da Grécia Antiga. Como resultado, compreendemos que a grande valorização atribuída à antiguidade grega foi concebida em língua alemã por volta do período do romantismo alemão e do surgimento da Universidade de Berlim, em 1810, mas a ideia foi ampliada para outros lugares da Europa e, não só a Grécia Antiga, mas a História Antiga no geral, passou a ser utilizada como sustentáculo da ideia de "cultura ocidental", que teria origem nessa suposta herança cultural grega. https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/article/view/101457Filo-helenismoGrécia antigaOcidente |
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