Poesia, Pós-Poesia, Pós-Espanto em A Morte de Tony Bennet, de Leonardo Gandolfi

Seria possível dizer que um modo determinante do começo da filosofia surge como uma interpretação do poeta e da poesia. No Íon, de Platão, Sócrates atravessa o diálogo mostrando ao personagem que o intitula que o poeta e o rapsodo não atuam por técnica nem por episteme. Havendo no respectivo texto...

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Main Author: Alberto Pucheu
Format: Article
Language:Spanish
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2012-03-01
Series:Boletim de Pesquisa NELIC
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/nelic/article/view/28241
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description Seria possível dizer que um modo determinante do começo da filosofia surge como uma interpretação do poeta e da poesia. No Íon, de Platão, Sócrates atravessa o diálogo mostrando ao personagem que o intitula que o poeta e o rapsodo não atuam por técnica nem por episteme. Havendo no respectivo texto essa vertente negativa, há, igualmente, uma outra, afirmativa, a dizer quem são o poeta e o rapsodo. É certo, então, que eles não estão em si, que o senso não está mais neles, que eles estão fora de si. Estando fora de si, foi um deus que retirou deles o senso, utilizando-se deles como servidores, fazendo com que estejam possuídos, ou seja, o que, no diálogo, move o poeta e o rapsodo é uma potência divina, uma concessão divina. Por não estarem em si, por estarem em alguma divindade (a Musa, Apolo, Dionísio), os poetas são chamados de seres sagrados, leves, alados. Algo os tira do chão, os faz voar, dando a entender que o que pesa em nós é a própria humanidade, da qual, inumano, o poeta, ao menos temporariamente, se livra (“não são humanos estes belos poemas, nem de homens, mas divinos e de deuses”). Parece que o que pesa é a própria humanidade. Ou seja, movido pelo deus, o poeta e o rapsodo não são aqueles que poetam pela exclusividade da técnica nem da episteme, mas pela força maior do entusiasmo que os toma ao estarem fora de si. Na medida em que não são os poetas e rapsodos que falam, mas, por eles, os deuses, que, assim, se fazem ouvir por nós, eles são incapazes de poetar sem terem ficado entusiasmados e sem estarem fora de si. Os poetas são porta-vozes dos deuses e os rapsodos são porta-vozes dos porta-vozes dos deuses, sem que haja perda no que, imantando-os, foi enviado. Demarca-se então essa articulação entre o fora de si e o entusiasmo, experiências e termos que não deixarão de, de diferentes maneiras, se tornar preponderantes no dito de poetas e teóricos futuros em suas reflexões e em seus depoimentos sobre a poesia.
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