“Vou meter [a] mão”

O racismo estrutural no Brasil é um fenômeno profundamente enraizado nas instituições e na organização social, sendo sustentado por relações históricas de dominação e exclusão. Essa estrutura racista afeta inclusive os espaços que deveriam ser de cuidado e acolhimento, como os hospitais. Partindo de...

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Main Authors: Natália Luczkiewicz da Silva, Aleph Danillo da Silva Feitosa, Flávia Colen Meniconi
Format: Article
Language:English
Published: Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos 2025-07-01
Series:Domínios de Lingu@gem
Subjects:
Online Access:https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/77865
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Aleph Danillo da Silva Feitosa
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description O racismo estrutural no Brasil é um fenômeno profundamente enraizado nas instituições e na organização social, sendo sustentado por relações históricas de dominação e exclusão. Essa estrutura racista afeta inclusive os espaços que deveriam ser de cuidado e acolhimento, como os hospitais. Partindo desse entendimento, este trabalho objetiva investigar a construção discursiva do corpo da mulher negra grávida, analisando como diferentes vozes — sociais, médicas e midiáticas — contribuem para silenciar, apagar ou minimizar os relatos de violência obstétrica, por meio de discursos que naturalizam essa prática. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, conforme Godoy (1995), que busca compreender os significados atribuídos às experiências humanas em contextos sociais específicos. A escolha por essa abordagem se justifica pela complexidade do fenômeno analisado, atravessado por dimensões históricas, políticas e simbólicas que não se encaixam em categorias previamente estabelecidas. Metodologicamente, configura-se como um estudo de caso (Yin, 2005), adequado para a investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos, especialmente quando as fronteiras entre o objeto e seu contexto não são claramente delimitadas. O referencial teórico contempla os estudos de Lugones (2010) e Davis (2016), que abordam a colonialidade de gênero e a interseccionalidade; Volóchinov (2017) e Bakhtin (2016), que discutem a linguagem como prática ideológica; e Leal et al. (2017), que refletem sobre a violência obstétrica com recorte racial. A análise evidenciou que a violência obstétrica sofrida pela mulher negra ultrapassa o momento do parto, constituindo-se como um enunciado atravessado por discursos que antecedem e sucedem o evento, o que reforça seu caráter estrutural e institucionalizado. Os discursos analisados revelam uma desumanização sistemática, marcada por maus-tratos, silenciamentos e a negação de direitos básicos, compondo uma violência simbólica e física sustentada por relações de poder históricas que ainda operam na atualidade. As vozes sociais, por sua vez, expressam valores profundamente enraizados nas práticas cotidianas, contribuindo diretamente para a construção de sentidos sobre o corpo da mulher negra grávida, e evidenciando como esse corpo é alvo de controle, exclusão e subalternização no campo da saúde.
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