Metacognição na simulação clínica: eventos metacognitivos durante o briefing, a prática simulada e o debriefing

RESUMO Introdução: A simulação clínica envolve diversos processos cognitivos e metacognitivos. No entanto, a metacognição, embora presente, muitas vezes não é valorizada pelos docentes nem reconhecida pelos discentes. Identificar a metacognição e apropriar-se dela transforma a aprendizagem, melhora...

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Main Authors: Thais Lazaroto Roberto Cordeiro, Luciana Rocha dos Santos, Mauricio Abreu Pinto Peixoto
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Associção Brasileira de Educação Médica 2025-06-01
Series:Revista Brasileira de Educação Médica
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022025000300201&lng=pt&tlng=pt
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Summary:RESUMO Introdução: A simulação clínica envolve diversos processos cognitivos e metacognitivos. No entanto, a metacognição, embora presente, muitas vezes não é valorizada pelos docentes nem reconhecida pelos discentes. Identificar a metacognição e apropriar-se dela transforma a aprendizagem, melhora o desempenho em simulações e aprimora a formação do futuro médico, tornando-o mais preparado para atendimentos complexos. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar, classificar e descrever se e como o processo metacognitivo ocorre na simulação clínica. Método: Trata-se de um estudo observacional, longitudinal, descritivo e qualitativo, realizado com acadêmicos de Medicina no estado do Paraná. Na coleta de dados, foram acompanhadas 16 simulações clínicas de duas unidades curriculares, ao longo de todo o semestre, dando origem a um diário de campo. Este foi analisado a partir do uso de categorias teóricas metacognitivas e pelo afloramento de categorias empíricas. Resultado: Os tipos de eventos localizados foram categorizados em conhecimento metacognitivo (40,7%), habilidades metacognitiva (30,3%) e experiência metacognitiva (29%). Referente aos subtipos de eventos, a maioria das ocorrências foi de conhecimento metacognitivo do tipo tarefa (61,8%), em especial na etapa de prática simulada, apontando intensa recuperação de conhecimento prévio e necessidade de tomada de decisão alinhada ao objetivo. Sobre a habilidade metacognitiva, o tipo de evento mais prevalente foi a avaliação (45,7%), o que denota preocupação com a escolha de condutas posteriores ao raciocínio clínico. No que concerne às experiências metacognitivas, a maioria dos eventos foi do tipo sentimento de dificuldade (71,5%), com manifestação principalmente na etapa do debriefing, além de apontar pouca familiaridade (3,9%) e confiança (14,7%). Conclusão: O estudo descreve e mensura a presença da metacognição ao longo das três etapas da simulação clínica. Além disso, analisa como eventos metacognitivos são influenciados por fatores externos que promovem a manifestação explícita da metacognição, especialmente por meio do discurso dos participantes. Os resultados destacam o papel central de conflitos e liderança na dinâmica metacognitiva, evidenciando como esses fatores moldam as interações, a autorregulação e o desenvolvimento de competências metacognitivas no contexto da simulação. Dessa forma, o estudo reforça a relevância da metacognição no aprimoramento do aprendizado com simulação clínica e aponta caminhos para o aperfeiçoamento dessa estratégia educacional.
ISSN:1981-5271