Contexto e melancolia

Há exatos dez anos, a artista carioca Maria Palmeiro exibia na galeria Casamata, localizada no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, uma série de pinturas de grande formato, reunidas sob o sugestivo título “A obra está”. O que Palmeiro apresentava ali, contudo, não era a rigor uma mera exposição de pi...

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Bibliographic Details
Main Author: Otavio Leonidio
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal Fluminense 2024-12-01
Series:Viso
Subjects:
Online Access:https://revistaviso.com.br/ojs/index.php/viso/article/view/601
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Description
Summary:Há exatos dez anos, a artista carioca Maria Palmeiro exibia na galeria Casamata, localizada no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, uma série de pinturas de grande formato, reunidas sob o sugestivo título “A obra está”. O que Palmeiro apresentava ali, contudo, não era a rigor uma mera exposição de pinturas, mas o estágio atual de uma série de operações distintas e encadeadas, iniciadas um mês antes. Sobre o título que escolheu dar ao trabalho, Palmeiro se restringiu a anotar: “O nome do trabalho, ‘A obra está’, se refere ao estado vacilante da pintura e ao lugar físico que ela ocupa na galeria ou no ateliê”. O presente ensaio – escrito e publicado por ocasião dos dez anos de “A obra está” – trata justamente desse “estado vacilante da pintura” e o “lugar físico que ocupa na galeria ou no ateliê”; faz isso articulando e contrapondo a exposição/performance de Palmeiro a toda uma tradição de obras canônicas, tanto modernas quanto contemporâneas, com destaque para os trabalhos, ações e ideias de Marcel Duchamp, Constantin Brancusi, Le Corbusier, Jackson Pollock, Richard Serra, J. L. Austin, Allan Kaprow e Hal Foster, dentre outros. Essa ênfase em autores masculinos e canônicos não é fortuita: direta ou indiretamente, é a tradição falocêntrica das artes moderna e contemporânea que, como o ensaio procura demonstrar, a ação de Palmeiro confronta e, de modo “desastroso” e “impróprio” (palavras-chave do argumento), põe em xeque.
ISSN:1981-4062