A emancipação humana como horizonte da crítica: Revisitando o debate a respeito da posição do humanismo na obra madura de Karl Marx

Neste artigo, apresento uma análise dos principais textos do primeiro modelo de crítica da economia política que Karl Marx formulou entre 1857-59, a fim de apontar de que maneira o autor posicionou o humanismo no interior de sua obra de maturidade. Num primeiro momento, mostro como Marx entrelaçou...

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Bibliographic Details
Main Author: Lutti Mira
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 2025-06-01
Series:Griot: Revista de Filosofia
Subjects:
Online Access:https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5334
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Description
Summary:Neste artigo, apresento uma análise dos principais textos do primeiro modelo de crítica da economia política que Karl Marx formulou entre 1857-59, a fim de apontar de que maneira o autor posicionou o humanismo no interior de sua obra de maturidade. Num primeiro momento, mostro como Marx entrelaçou dois pares conceituais: de um lado, o par história/pré-história tem por função distinguir o socialismo de todos os modos de produção que o precedem, de sorte que a passagem para o socialismo e para a história marcaria uma ruptura emancipatória com toda a pré-história, pois enfim a sociedade humana se realizaria efetivamente. No entanto, como o socialismo ainda não se efetivou historicamente, a investigação de Marx se concentra no par capitalismo/pré-capitalismo: Marx evidencia que o pré-capitalismo é um limite anterior ao capital, permitindo que Marx critique a concepção a-histórica do capital que os economistas políticos formularam. Para demonstrar essa diferença entre capitalismo e pré-capitalismo, Marx revisita a noção de alienação, definindo-a como fenômeno especificamente capitalista. Em seguida, analiso os Manuscritos de 1844 indicando as diferenças significativas entre o humanismo do período de juventude e aquele presente no modelo de 1857-59. O intuito é desenvolver uma posição intermediária dentro da literatura secundária: entre posições que defendem uma descontinuidade completa e uma continuidade sem grandes alterações, argumento, seguindo Ruy Fausto, que há continuidade – pois Marx ainda possui uma certa posição humanista – na descontinuidade – pois o humanismo na obra de maturidade torna-se horizonte da crítica, deixando de funcionar como seu fundamento.
ISSN:2178-1036