ID205 Interseccionalidade e acesso a serviços de urgência e emergência em Pelotas, 2022

Introdução Os serviços de urgência e emergência são parte importante do sistema de saúde, e seu acesso pode apresentar desigualdade de acordo com o perfil socioeconômico e demográfico da população. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre um índice de privação de direitos sociais e...

Full description

Saved in:
Bibliographic Details
Main Authors: Felipe Mendes Delpino, Lílian Munhoz Figueiredo, Leandro Faria Rodrigues, Bruno Pereira Nunes
Format: Article
Language:English
Published: Instituto Nacional de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia 2024-11-01
Series:Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
Subjects:
Online Access:https://ojs.jaff.org.br/ojs/index.php/jaff/article/view/925
Tags: Add Tag
No Tags, Be the first to tag this record!
Description
Summary:Introdução Os serviços de urgência e emergência são parte importante do sistema de saúde, e seu acesso pode apresentar desigualdade de acordo com o perfil socioeconômico e demográfico da população. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre um índice de privação de direitos sociais e a utilização dos serviços de urgênciae emergência em um município de médio porte no Sul do país. Métodos Foi realizado um estudo longitudinal, com dados de 3425 participantes que responderam as duas ondas, 2021 e 2022, do estudo “EAI PELOTAS? – Emergency Service Utilization and Artificial Intellingence in PELOTAS-RS”. O desfecho principal foi a utilização dos serviços, que foi dividida em serviços públicos e privados. A exposição principal foi a interseccionalidade de variáveis que expressam a privação de  direitos sociais, chamado Jeopardy Index, cuja pontuação varia de 0 a 8, ao passo que 0 representa homem, branco, com alta escolaridade e alta classe econômica, e 8 representa mulher, preta/parda/amarela/indígena, com baixa escolaridade e baixa classe econômica. Foram realizadas análises de regressão de Poisson, com resultados expressos como Risco Relativo (RR), com intervalos de confiança de 95% (IC95%) e ajustados para possíveis fatores de confusão. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer número 39096720.0.0000.5317. Resultados A maior parte dos participantes eram mulheres, casadas, com idades entre 30 e 59 anos. Cerca de 32% da amostra utilizou os serviços públicos de saúde ao menos uma vez, enquanto 9,5% utilizaram os serviços privados ao menos uma vez. Quanto maior a privação dos direitos sociais, maior foi o uso dos serviços públicos de saúde (RR: 1.13; IC95%: 1.10-1.16). Por outro lado, quanto menor a privação dos direitos sociais, menor foi o uso dos serviços privados (RR: 0.65; IC95%: 0.61-0.69). Discussão e conclusões Nossos resultados mostraram que há desigualdades sociais no acesso aos serviços de urgência e emergência, com efeito sinérgico de variáveis que expressam privação de direitos sociais. Grupos com menor privação de direitos têm maior acesso aos serviços particulares, enquanto aqueles com maior privação acessam mais os serviços públicos. As desigualdades sociais são um problema que reflete as históricas e amplas iniquidades que existem no Brasil, pais que apresenta alta concentração de renda. Os serviços públicos de urgência e emergência são caracterizados por superlotação e demora no atendimento, o que evidencia injustiça na atenção à saúde, uma vez que os grupos com maior privação de direitos são os que mais utilizam esses serviços. É preciso reduzir as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, conscientizar e investir na prevenção por meio de políticas públicas de qualidade que visem à promoção da saúde e à redução das desigualdades interseccionais no Brasil
ISSN:2525-5010
2525-7323