“Difícil é sentá-los”

O passageiro fecha os olhos. De um lado está sentada uma criança agitada, do outro uma pequena janela por onde se vêm as nuvens. Os pais da criança irão esforçar-se (ou não) por mantê-la “presa” à cadeira durante as 7 horas da viagem que se avizinha. O enclausuramento e proximidade forçada testa os...

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Main Author: Pedro Gentil-Homem
Format: Article
Language:English
Published: Politécnico de Castelo Branco 2024-11-01
Series:Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes
Subjects:
Online Access:https://convergencias.ipcb.pt/index.php/convergences/article/view/273
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Description
Summary:O passageiro fecha os olhos. De um lado está sentada uma criança agitada, do outro uma pequena janela por onde se vêm as nuvens. Os pais da criança irão esforçar-se (ou não) por mantê-la “presa” à cadeira durante as 7 horas da viagem que se avizinha. O enclausuramento e proximidade forçada testa os limites da resistência humana. O espaço interior de um avião tenta manter a lógica dos ambientes e acções à cota 0, entre elas está, obviamente a sã convivência. Começa por ser difícil sentá-los e depois mantê-los sentados1: o ambiente está montado. Para o nosso artigo elegemos um conjunto de objectos presentes a bordo dos aviões da TAP Portugal que tentaram amenizar ou condicionar a atitude das crianças e juvenis durante o arco temporal das décadas de sessenta a oitenta. Objectos, que parecendo inócuos, possuem a simultaneidade funcional de evitar o choro e a birra, entretendo e distraindo, e estender a experiência e valores da marca. A nostalgia das viagens realizadas em família durante este período está povoada de recordações dessas ofertas que marcaram gerações de crianças, hoje adultos, talvez colecionadores.
ISSN:2184-0180
1646-9054