O DESASTRE CLIMÁTICO NO RIO GRANDE DO SUL EM 2024 E O IMPACTO EM UM SERVIÇO DE HEMOTERAPIA. UMA ANALISE ESTATÍSTICA DO TOTAL DE DOAÇÕES, DAS PRIMEIRAS DOAÇÕES E DA SEGURANÇA DO SANGUE

Objetivo: Descrever o impacto no número de doações de sangue e na sua segurança, causado pelo desastre climático ocorrido no Rio Grande do Sul em maio de 2024, em um banco de sangue de referência em Porto Alegre, RS. Materiais e métodos: Obteve-se dados relacionados ao período imediatamente anterior...

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Main Authors: DEL Brum, MLM Assmann, N Lídio, RB Alvarenga, SC Wagner
Format: Article
Language:English
Published: Elsevier 2024-10-01
Series:Hematology, Transfusion and Cell Therapy
Online Access:http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137924016146
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description Objetivo: Descrever o impacto no número de doações de sangue e na sua segurança, causado pelo desastre climático ocorrido no Rio Grande do Sul em maio de 2024, em um banco de sangue de referência em Porto Alegre, RS. Materiais e métodos: Obteve-se dados relacionados ao período imediatamente anterior (abril/2024) e durante (maio/2024) o maior desastre climático do Rio Grande do Sul e correlacionou-se com dados de períodos anteriores a fim de observar se houve diferenças estatisticamente significativas. Resultados: Durante os meses de abril e maio de 2024 houve 1600 e 1233 doações de sangue, respectivamente, com uma média de 61 e 49 doações por dia. A redução no número de doações em maio corresponde a 22,9% quando comparado com o mês de abril, com diferença estatisticamente significativa (p = 0,0001). Também houve diferenças em números de doação quando comparado aos meses de maio de anos anteriores, com uma redução de 9,0% em 2023 e 22,9% em 2022. Quanto às primeiras doações, houve 740 candidatos à primeira doação, destes 698 foram aprovados (94,3%), 41 tiveram recusa temporária (5,5%) e 1 recusa definitiva (0,1%). No mês de maio houve 688 candidatos à primeira doação, dos quais 628 foram aprovados (91,3%), 58 foram recusados temporariamente (8,4%) e 2 definitivamente (0,3%). Ao total, no mês de abril as primeiras doações somaram 38,0% e em maio somaram 43,2%, enquanto os doadores de repetição contabilizaram respectivamente 61,9% e 56,7%. Sobre a segurança do sangue, das 1600 doações do mês de abril, 49 tiveram sorologia não negativa (3,06%). Entre os não negativos, a maioria ocorreu nos testes de Sífilis (25), seguido por HBC (6). No mês de maio, das 1233 doações, 30 tiveram sorologia não negativa (2,4%) sendo que o teste mais detectado foi novamente o de Sífilis (11), também seguido por HBC (6). Não foi constatado diferença estatisticamente significativa (p = 0,06). Discussão: O desastre climático no Rio Grande do Sul causou grandes problemas, entre eles a dificuldade dos doadores de acessar o banco de sangue. Frente a isso, para manter os estoques, foi preciso entrar em contato com doadores de repetição já conhecidos. Isto fez com que o número de doadores de repetição fosse maior do que o número de doadores de primeira doação, contrastando com os mesmos meses de anos anteriores ao desastre, onde mais de 70% do total de doações eram de primeiras doações. Além disso, o alto número de sorologias não negativas para sífilis pode ser associado ao uso de mais de um método de análise para pesquisa. Conclusão: É possível concluir que desastres causam impactos significativos no número de doadores de sangue. Em desastres que dificultem o deslocamento, como o observado em Porto Alegre, haverá uma queda na taxa de doações. Em posse da informação de que é possível prever o comportamento dos doadores frente a diferentes tipos de desastres, torna-se necessária a criação de planos de ação prévios em resposta aos impactos gerados por desastres.
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