Da Filologia Cósmica

Presenciamos, atualmente, algo de um momento crítico para o pensamento, que se expressa de maneira análoga em diversas áreas do conhecimento. Na filologia, é experienciada a exaustão de um predomínio do modelo mimético auerbachiano, conforme a noção do Real lacaniano toma conta da sensibilidade lite...

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Bibliographic Details
Main Author: Julian Brzozowski
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2017-12-01
Series:Outra Travessia
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/Outra/article/view/52738
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Description
Summary:Presenciamos, atualmente, algo de um momento crítico para o pensamento, que se expressa de maneira análoga em diversas áreas do conhecimento. Na filologia, é experienciada a exaustão de um predomínio do modelo mimético auerbachiano, conforme a noção do Real lacaniano toma conta da sensibilidade literária ocidental. Tal assunção levou o pensamento moderno a um paradigma mórbido da existência, expresso nos trabalhos de Heidegger, Lacan e Agamben, e numa posterior leitura contemporânea algo desbalanceada do paradigma biopolítico foucaultiano, “fazer viver e deixar morrer”, que enxerga no encontro com a Coisa o fundamento e o horizonte da tanatopolítica. O presente ensaio visa propor alternativas para a localização de uma arquifilologia no domínio da vida frente ao Real, ao recusar o antropocentrismo do campo literário. Explorando a teoria gravitacional do físico teórico holandês Erik Verlinde, que sugere que a gravidade seria uma qualidade emergente da informação a dividir o espaço físico emergido e um segundo espaço por vir, a inorganicidade da literatura diagnosticada na máxima batailleana seria levada a um Outro lugar. O desejo de expressar imageticamente um mundo por vir não estaria sob monopólio humano, mas sim expresso em um funcionamento cósmico desde sempre indiferente a ruína da tradição mimética.
ISSN:1807-5002
2176-8552