Verbos de percepção em português brasileiro: uma análise semântica unificada para os diferentes complementos
Verbos de percepção licenciam: orações introduzidas por ‘que’; orações reduzidas de infinitivo e sintagmas nominais/determinantes – como complemento. No entanto, o comportamento semântico não é o mesmo, pois orações introduzidas por ‘que’ possuem pelo menos duas leituras: uma direta e outra indiret...
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| Main Authors: | , |
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| Format: | Article |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Federal do Rio de Janeiro
2024-12-01
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| Series: | Revista Linguística |
| Online Access: | https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/article/view/65547 |
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| Summary: | Verbos de percepção licenciam: orações introduzidas por ‘que’; orações reduzidas de infinitivo e sintagmas nominais/determinantes – como complemento. No entanto, o comportamento semântico não é o mesmo, pois orações introduzidas por ‘que’ possuem pelo menos duas leituras: uma direta e outra indireta. O objetivo deste artigo é apresentar uma proposta semântica unificada para verbos de percepção que explique por que certas leituras ficam disponíveis apenas para as orações subordinadas introduzidas pelo complementizador. Para isso, empregamos como arcabouço teórico propostas de análise de orações subordinadas na Semântica Formal. Propomos que o complementizador ‘que’ denota uma eventualidade, mas é vago em relação ao momento que essa eventualidade ocorreu. Tal vagueza é responsável por permitir duas leituras: uma direta, na qual o evento descrito pela oração subordinada equivale à eventualidade observada pelo verbo de percepção; e uma indireta, na qual o evento descrito pela oração subordinada é anterior a essa eventualidade. Para nossa proposta, recorremos ao arcabouço teórico da Semântica Temporal. Dessa forma, é a natureza semântica do complementizador que deixa em aberto se a leitura é direta, ou seja, com a eventualidade e o evento da oração subordinada ocorrendo concomitantemente, ou se a leitura é indireta, com a eventualidade e o evento ocorrendo em tempos distintos. O contexto terá o papel de restringir essa vagueza. Sentenças com orações infinitivas ou com sintagmas nominais/determinantes apresentam apenas a leitura direta justamente porque não há o complementizador. Defendemos também que as três possibilidades de complemento para os verbos de percepção possuem o mesmo tipo semântico, o que permite uma semântica unificada para o verbo nas três estruturas.
Palavras-chave: Verbos de percepção. Subordinação. Semântica Formal. Ambiguidade. Vagueza.
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| ISSN: | 1808-835X 2238-975X |