Editorial

Se Max Weber pudesse, por algum milagre, analisar as duas primeiras décadas do século XXI, ficaria intelectualmente instigado com o grau de irracionalismo da “política” contemporânea. Se essa versão encarnada do autor alemão fosse aquela associada ao romantismo e ao pessimismo cultural, ele teria a...

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Bibliographic Details
Main Author: Ricardo Colturato Festi
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2020-10-01
Series:Revista Katálysis
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/77307
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Description
Summary:Se Max Weber pudesse, por algum milagre, analisar as duas primeiras décadas do século XXI, ficaria intelectualmente instigado com o grau de irracionalismo da “política” contemporânea. Se essa versão encarnada do autor alemão fosse aquela associada ao romantismo e ao pessimismo cultural, ele teria a certeza de que a sua metáfora da jaula de ferro se confirmara em sua forma mais radical. A racionalidade burocrática – que, na concepção do autor, representaria uma das singularidades do capitalismo em relação aos outros sistemas – parece dividir espaço, sem contradições, com a irracionalidade. A racionalidade, forma moderna de dominação, teria produzido a reificação das relações sociais e ao desencantamento do mundo. Nesse sentido, Weber estaria de acordo com Marx de que o capitalismo moderno é um universo em que os indivíduos são dirigidos por abstrações, “em que relações impessoais e coisificadas substituem as relações pessoais de dependência e em que a acumulação do capital se torna um fim em si, amplamente irracional” (LÖWY, 2014, p. 18). Habermas (1980) nos lembra que Weber introduziu o conceito de “racionalidade” a fim de determinar a forma da atividade econômica no capitalismo, das relações de direito privado burguesas e da dominação burocrática. A racionalização progressiva da sociedade estaria ligada a secularização e a institucionalização do progresso científico e técnico.
ISSN:1414-4980
1982-0259