Contra a ética da ecologia do medo: por uma mudança nos objetivos de intervenção na natureza

Seres humanos intervêm frequentemente na natureza por razões antropocêntricas ou ambientalistas. Um exemplo de intervenção consiste na reintrodução de lobos em áreas previamente habitadas por eles com a finalidade de se criar o que é conhecido como “ecologia do medo”. Na primeira parte deste artigo...

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Bibliographic Details
Main Author: Oscar Horta
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2017-08-01
Series:Ethic@: an International Journal for Moral Philosophy
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/ethic/article/view/51691
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Description
Summary:Seres humanos intervêm frequentemente na natureza por razões antropocêntricas ou ambientalistas. Um exemplo de intervenção consiste na reintrodução de lobos em áreas previamente habitadas por eles com a finalidade de se criar o que é conhecido como “ecologia do medo”. Na primeira parte deste artigo discutem-se as razões que têm sido utilizadas em favor dessa medida, e explica-se por que são incompatíveis com um enfoque não especista. Para tal, expõem-se os motivos pelos quais tal medida prejudica notavelmente animais como os cervos, sem tampouco ser benéfica para os próprios lobos. Em seguida, argumenta-se que, se abandonamos uma perspectiva especista, devemos mudar por completo o modo pelo qual intervimos na natureza. Em vez de intervir por motivos ecologistas ou antropocêntricos, nosso objetivo ao fazê-lo deve ser o de reduzir os danos sofridos pelos animais não humanos. A visão idílica segundo a qual os animais não humanos vivem vidas paradisíacas na natureza é completamente incorreta, e de fato há fortes razões para considerar que o sofrimento e a morte prematura prevalecem de forma clara sobre a felicidade desses animais. Isso faz com que seja ainda mais importante que nosso objetivo seja melhorar sua situação e dar-lhes nossa ajuda, em vez de causar-lhes danos. Isso entra em conflito de maneira significativa com alguns ideais ecologistas fundamentais cuja defesa não é compatível com a consideração dos interesses dos animais não humanos.  
ISSN:1677-2954