RACISMO INSTITUCIONAL E INTEGRALIDADE DO CUIDADO

O racismo institucional é o resultado do funcionamento das instituições que passam a atuar em uma dinâmica que confere ainda que indiretamente, desvantagens, privilégios com base na raça. A integralidade em saúde compõe uma categoria de análise dos estudos em saúde coletiva e descreve platôs cresce...

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Main Authors: Rose Mari Ferreira, Alcindo Antônio Ferla
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal do Rio Grande do Sul 2023-01-01
Series:Saberes Plurais
Subjects:
Online Access:https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade;www.scielo.br/index.php/saberesplurais/article/view/128272
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author Rose Mari Ferreira
Alcindo Antônio Ferla
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description O racismo institucional é o resultado do funcionamento das instituições que passam a atuar em uma dinâmica que confere ainda que indiretamente, desvantagens, privilégios com base na raça. A integralidade em saúde compõe uma categoria de análise dos estudos em saúde coletiva e descreve platôs crescentes de qualidade e acesso. Embora toda gestante tenha direito ao acesso e ao atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério e tenha havido melhoras na atenção ao pré-natal, diferentes fontes de informação demonstram que as mulheres negras continuam sendo as mais afetadas em relação ao acesso aos serviços de saúde. O objetivo desse estudo é analisar a influência da interseccionalidade dos marcadores sociais raça, cor, classe social, escolaridade no cuidado integral da gestante em atendimento no pré-natal a partir dos depoimentos das mulheres. A pesquisa foi realizada em dois bairros da cidade de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul (RS), a partir de relatos de mulheres em atendimento. A produção de dados foi realizada utilizando-se a entrevista semiestruturada, questionário sociodemográfico e caderno de campo. Para esse artigo foram selecionados os relatos de duas mulheres negras. Os dados foram analisados pela análise temática, com a construção de categorias teóricas e empíricas. As gestantes negras relataram sofrer racismo e violência obstétrica e medo em não poder ter acompanhante no parto devido à pandemia de COVID-19. Os depoimentos das mulheres encontram eco na literatura e demonstram uma face ainda mais perversa do racismo institucional: a produção de medo e vulnerabilidade mesmo nos atendimentos nos serviços públicos e privados de saúde, alertando o ensino da saúde para a produção de uma cultura que não tolere diferenças injustas no cuidado.
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language Portuguese
publishDate 2023-01-01
publisher Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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spelling doaj-art-527ac79b660c4c8488f72ee65173af102025-08-20T03:42:14ZporUniversidade Federal do Rio Grande do SulSaberes Plurais2525-507X2023-01-0162RACISMO INSTITUCIONAL E INTEGRALIDADE DO CUIDADORose Mari Ferreira0https://orcid.org/0000-0001-7403-9037Alcindo Antônio Ferla1https://orcid.org/0000-0002-9408-1504Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) O racismo institucional é o resultado do funcionamento das instituições que passam a atuar em uma dinâmica que confere ainda que indiretamente, desvantagens, privilégios com base na raça. A integralidade em saúde compõe uma categoria de análise dos estudos em saúde coletiva e descreve platôs crescentes de qualidade e acesso. Embora toda gestante tenha direito ao acesso e ao atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério e tenha havido melhoras na atenção ao pré-natal, diferentes fontes de informação demonstram que as mulheres negras continuam sendo as mais afetadas em relação ao acesso aos serviços de saúde. O objetivo desse estudo é analisar a influência da interseccionalidade dos marcadores sociais raça, cor, classe social, escolaridade no cuidado integral da gestante em atendimento no pré-natal a partir dos depoimentos das mulheres. A pesquisa foi realizada em dois bairros da cidade de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul (RS), a partir de relatos de mulheres em atendimento. A produção de dados foi realizada utilizando-se a entrevista semiestruturada, questionário sociodemográfico e caderno de campo. Para esse artigo foram selecionados os relatos de duas mulheres negras. Os dados foram analisados pela análise temática, com a construção de categorias teóricas e empíricas. As gestantes negras relataram sofrer racismo e violência obstétrica e medo em não poder ter acompanhante no parto devido à pandemia de COVID-19. Os depoimentos das mulheres encontram eco na literatura e demonstram uma face ainda mais perversa do racismo institucional: a produção de medo e vulnerabilidade mesmo nos atendimentos nos serviços públicos e privados de saúde, alertando o ensino da saúde para a produção de uma cultura que não tolere diferenças injustas no cuidado. https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade;www.scielo.br/index.php/saberesplurais/article/view/128272GestantesIntegralidade em saúdeRacismo
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