Do infiltrado inflamatório à fibrose: a resposta do omento à apendicite aguda
Introdução: O omento é uma estrutura intraperitoneal rica em tecido adiposo e áreas linfoides, denominadas Milky Spots, com um papel central na resposta imunitária [1], especialmente em contextos inflamatórios como a apendicite aguda. Estas zonas contêm diversos tipos de células imunitárias (linfóc...
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| Format: | Article |
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| Published: |
Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia - RACS
2025-08-01
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| Series: | RevSALUS |
| Subjects: | |
| Online Access: | https://revsalus.com/index.php/RevSALUS/article/view/1065 |
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| author | Márcio Gaspar Sara Marques Fernanda Garcez Maria José Oliveira Albina Dolores Resende Sara Ricardo |
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| author_sort | Márcio Gaspar |
| collection | DOAJ |
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Introdução: O omento é uma estrutura intraperitoneal rica em tecido adiposo e áreas linfoides, denominadas Milky Spots, com um papel central na resposta imunitária [1], especialmente em contextos inflamatórios como a apendicite aguda. Estas zonas contêm diversos tipos de células imunitárias (linfócitos T e B, macrófagos), participando em processos como angiogénese, diferenciação celular, modulação da resposta inflamatória e regeneração tecidular [1,2]. Em certos casos de apendicite, essas células contribuem para a formação de uma cápsula delimitando o foco infecioso, denominada de bloqueio peritoneal [2,3]. No contexto da apendicite aguda a resposta do omento é diferente com implicações clínicas para o prognóstico dos pacientes. Objetivo: Este estudo tem como objetivo avaliar a matriz extracelular e as principais subpopulações celulares imunitárias no omento em amostras de pacientes de apendicite aguda com e sem bloqueio peritoneal, desvendando o papel deste órgão nas diferentes respostas do sistema imunitário. Métodos: Foram analisadas amostras de omento de pacientes com apendicite aguda divididas em três grupos: Grupo I (n=20), sem bloqueio peritoneal, Grupo II (n=14), com bloqueio peritoneal e Grupo III (n=9), controlo, sem inflamação do apêndice. As amostras foram sujeitas a técnicas histoquímicas (H&E, Tricrómio de Masson, Reticulina e Orceína) e imunohistoquímicas (CD3, CD4, CD8, CD20 e CD163), com análise semiquantitativa da matriz extracelular e quantitativa das subpopulações leucocitárias através do software QuPath. Resultados: Os grupos I e II apresentaram maior infiltração de linfócitos T (CD3+, CD4+, CD8+), linfócitos B (CD20+) e macrófagos (CD163+) face ao Grupo III, onde a presença destas células foi mínima. O Grupo II destacou-se pelos níveis mais elevados de CD8+ e CD163+, sugerindo uma resposta inflamatória mais intensa e prolongada. Paralelamente, estes grupos evidenciaram maior quantidade de fibras reticulares e colagénio, indicando fibrose e remodelação tecidular. Conclusão: Verifica-se uma associação entre a intensidade da resposta imune e o grau de remodelação tecidular no omento em contexto de apendicite aguda. O bloqueio peritoneal associa-se a maior infiltração celular e fibrose, reforçando o papel ativo dos Milky Spots na contenção da inflamação e na reparação tecidular. Estes dados podem contribuir para explicar diferentes evoluções clínicas e fundamentar novas abordagens terapêuticas em inflamações peritoneais.
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| institution | Kabale University |
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| publishDate | 2025-08-01 |
| publisher | Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia - RACS |
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| series | RevSALUS |
| spelling | doaj-art-48bc10e9500446b9bc76f9f100354d2a2025-08-26T05:12:04ZengRede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia - RACSRevSALUS2184-48602184-836X2025-08-017SupII10.51126/a9wmbx35Do infiltrado inflamatório à fibrose: a resposta do omento à apendicite agudaMárcio Gaspar0Sara Marques1Fernanda Garcez2Maria José Oliveira3Albina Dolores Resende4Sara Ricardo5Clínica Multiperfil, Luanda, Angola; Associate Laboratory i4HB – Institute for Health and Bioeconomy, University Institute of Health Sciences - CESPU, Gandra; UCIBIO – Applied Molecular Biosciences Unit, Toxicologic Pathology Research Laboratory, University Institute of Health Sciences (1H- TOXRUN, IUCS-CESPU), Gandra, Portugal.University Institute of Health Sciences (IUCS), Gandra, PRD, PortugalUNIPRO–Oral Pathology and Rehabilitation Research Unit, University Institute of Health Sciences, CESPU, CRL, Gandra, Portugali3S - Institute for Research and Innovation in Health (i3S), University of Porto, Porto, PortugalAssociate Laboratory i4HB – Institute for Health and Bioeconomy, University Institute of Health Sciences - CESPU, Gandra; UCIBIO – Applied Molecular Biosciences Unit, Toxicologic Pathology Research Laboratory, University Institute of Health Sciences (1H- TOXRUN, IUCS-CESPU), Gandra; UNIPRO–Oral Pathology and Rehabilitation Research Unit, University Institute of Health Sciences, CESPU, CRL, Gandra; Interdisciplinary Centre of Marine and Environmental Research (CIIMAR), University of Porto, Matosinhos, PortugalAssociate Laboratory i4HB – Institute for Health and Bioeconomy, University Institute of Health Sciences - CESPU, Gandra; UCIBIO – Applied Molecular Biosciences Unit, Toxicologic Pathology Research Laboratory, University Institute of Health Sciences (1H- TOXRUN, IUCS-CESPU), Gandra; UNIPRO–Oral Pathology and Rehabilitation Research Unit, University Institute of Health Sciences, CESPU, CRL, Gandra, Portugal Introdução: O omento é uma estrutura intraperitoneal rica em tecido adiposo e áreas linfoides, denominadas Milky Spots, com um papel central na resposta imunitária [1], especialmente em contextos inflamatórios como a apendicite aguda. Estas zonas contêm diversos tipos de células imunitárias (linfócitos T e B, macrófagos), participando em processos como angiogénese, diferenciação celular, modulação da resposta inflamatória e regeneração tecidular [1,2]. Em certos casos de apendicite, essas células contribuem para a formação de uma cápsula delimitando o foco infecioso, denominada de bloqueio peritoneal [2,3]. No contexto da apendicite aguda a resposta do omento é diferente com implicações clínicas para o prognóstico dos pacientes. Objetivo: Este estudo tem como objetivo avaliar a matriz extracelular e as principais subpopulações celulares imunitárias no omento em amostras de pacientes de apendicite aguda com e sem bloqueio peritoneal, desvendando o papel deste órgão nas diferentes respostas do sistema imunitário. Métodos: Foram analisadas amostras de omento de pacientes com apendicite aguda divididas em três grupos: Grupo I (n=20), sem bloqueio peritoneal, Grupo II (n=14), com bloqueio peritoneal e Grupo III (n=9), controlo, sem inflamação do apêndice. As amostras foram sujeitas a técnicas histoquímicas (H&E, Tricrómio de Masson, Reticulina e Orceína) e imunohistoquímicas (CD3, CD4, CD8, CD20 e CD163), com análise semiquantitativa da matriz extracelular e quantitativa das subpopulações leucocitárias através do software QuPath. Resultados: Os grupos I e II apresentaram maior infiltração de linfócitos T (CD3+, CD4+, CD8+), linfócitos B (CD20+) e macrófagos (CD163+) face ao Grupo III, onde a presença destas células foi mínima. O Grupo II destacou-se pelos níveis mais elevados de CD8+ e CD163+, sugerindo uma resposta inflamatória mais intensa e prolongada. Paralelamente, estes grupos evidenciaram maior quantidade de fibras reticulares e colagénio, indicando fibrose e remodelação tecidular. Conclusão: Verifica-se uma associação entre a intensidade da resposta imune e o grau de remodelação tecidular no omento em contexto de apendicite aguda. O bloqueio peritoneal associa-se a maior infiltração celular e fibrose, reforçando o papel ativo dos Milky Spots na contenção da inflamação e na reparação tecidular. Estes dados podem contribuir para explicar diferentes evoluções clínicas e fundamentar novas abordagens terapêuticas em inflamações peritoneais. https://revsalus.com/index.php/RevSALUS/article/view/1065Milky Spots; omento; immunohistoquímica; fibrose; apendicite aguda |
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