O “Belo” e o “Bom” em Lisboa
O Plano Verde de Lisboa, concebido na década de 1990, propõe a articulação física de áreas verdes da cidade dedicadas não só ao lazer, mas também à produção agrícola. Nesse contexto são propostos parques hortícolas que, semelhante aos “grandes projetos” do final do século XX, recorrem a uma uniformi...
Saved in:
| Main Author: | |
|---|---|
| Format: | Article |
| Language: | English |
| Published: |
DINÂMIA’CET – IUL, Centre for Socioeconomic and Territorial Studies
2021-12-01
|
| Series: | Cidades, Comunidades e Território |
| Subjects: | |
| Online Access: | https://journals.openedition.org/cidades/4755 |
| Tags: |
Add Tag
No Tags, Be the first to tag this record!
|
| _version_ | 1850130362569588736 |
|---|---|
| author | Ana Elísia da Costa |
| author_facet | Ana Elísia da Costa |
| author_sort | Ana Elísia da Costa |
| collection | DOAJ |
| description | O Plano Verde de Lisboa, concebido na década de 1990, propõe a articulação física de áreas verdes da cidade dedicadas não só ao lazer, mas também à produção agrícola. Nesse contexto são propostos parques hortícolas que, semelhante aos “grandes projetos” do final do século XX, recorrem a uma uniformidade formal em distintos cenários. A estratégia de implantação dos parques envolve a substituição de hortas espontâneas consolidadas em áreas expectantes desde a década de 1950 que, apesar de suas feições decadentes e labirínticas, possuem importância para as comunidades locais. Da vivência de uma prática artística nesses territórios espontâneos, são deflagrados questionamentos: Por seus padrões estéticos e sociais de difícil assimilação, essas hortas impõem uma insuportável presença do “feio” que justificaria a imposição do “belo” instituído? Assistimos à estetização da vida e à espetacularização do espaço público em detrimento do que possa ser “bom” numa perspectiva social? Guiado por esses questionamentos, este estudo é um ensaio que pretende refletir sobre a operação urbana de substituição das hortas pelos parques, contemplando possíveis juízos estético-éticos subjacentes a esses territórios, bem como refletir sobre potenciais e limites da referida prática artística para dar luz a esses juízos e aos conflitos que deles emanam. Para tanto, apoia-se em revisões bibliográficas e em sensações e percepções que emergiram de experiências nesses espaços. A despeito de distintos juízos estético-éticos, conclui-se que ambos, parque e prática, conduzem em diferentes graus e perspectivas à estetização do território, o que afirma a necessidade de contínuo exame dos seus meios e fins e dos discursos culturais vigentes. |
| format | Article |
| id | doaj-art-425679f394b44bb0a186e92febdb950d |
| institution | OA Journals |
| issn | 2182-3030 |
| language | English |
| publishDate | 2021-12-01 |
| publisher | DINÂMIA’CET – IUL, Centre for Socioeconomic and Territorial Studies |
| record_format | Article |
| series | Cidades, Comunidades e Território |
| spelling | doaj-art-425679f394b44bb0a186e92febdb950d2025-08-20T02:32:42ZengDINÂMIA’CET – IUL, Centre for Socioeconomic and Territorial StudiesCidades, Comunidades e Território2182-30302021-12-0143O “Belo” e o “Bom” em LisboaAna Elísia da CostaO Plano Verde de Lisboa, concebido na década de 1990, propõe a articulação física de áreas verdes da cidade dedicadas não só ao lazer, mas também à produção agrícola. Nesse contexto são propostos parques hortícolas que, semelhante aos “grandes projetos” do final do século XX, recorrem a uma uniformidade formal em distintos cenários. A estratégia de implantação dos parques envolve a substituição de hortas espontâneas consolidadas em áreas expectantes desde a década de 1950 que, apesar de suas feições decadentes e labirínticas, possuem importância para as comunidades locais. Da vivência de uma prática artística nesses territórios espontâneos, são deflagrados questionamentos: Por seus padrões estéticos e sociais de difícil assimilação, essas hortas impõem uma insuportável presença do “feio” que justificaria a imposição do “belo” instituído? Assistimos à estetização da vida e à espetacularização do espaço público em detrimento do que possa ser “bom” numa perspectiva social? Guiado por esses questionamentos, este estudo é um ensaio que pretende refletir sobre a operação urbana de substituição das hortas pelos parques, contemplando possíveis juízos estético-éticos subjacentes a esses territórios, bem como refletir sobre potenciais e limites da referida prática artística para dar luz a esses juízos e aos conflitos que deles emanam. Para tanto, apoia-se em revisões bibliográficas e em sensações e percepções que emergiram de experiências nesses espaços. A despeito de distintos juízos estético-éticos, conclui-se que ambos, parque e prática, conduzem em diferentes graus e perspectivas à estetização do território, o que afirma a necessidade de contínuo exame dos seus meios e fins e dos discursos culturais vigentes.https://journals.openedition.org/cidades/4755hortas espontâneasparques hortícolaspráticas artísticasética-estéticaLisboa |
| spellingShingle | Ana Elísia da Costa O “Belo” e o “Bom” em Lisboa Cidades, Comunidades e Território hortas espontâneas parques hortícolas práticas artísticas ética-estética Lisboa |
| title | O “Belo” e o “Bom” em Lisboa |
| title_full | O “Belo” e o “Bom” em Lisboa |
| title_fullStr | O “Belo” e o “Bom” em Lisboa |
| title_full_unstemmed | O “Belo” e o “Bom” em Lisboa |
| title_short | O “Belo” e o “Bom” em Lisboa |
| title_sort | o belo e o bom em lisboa |
| topic | hortas espontâneas parques hortícolas práticas artísticas ética-estética Lisboa |
| url | https://journals.openedition.org/cidades/4755 |
| work_keys_str_mv | AT anaelisiadacosta obeloeobomemlisboa |