CLADRIBINA SUBCUTÂNEA É OPÇÃO EFICAZ E PRÁTICA NO TRATAMENTO DA TRICOLEUCEMIA: EXPERIÊNCIA DE TRÊS CENTROS BRASILEIROS

Introdução: A tricoleucemia (hairy cell leukemia - HCL) é uma neoplasia hematológica rara que corresponde a menos de 2% de todas as leucemias, com estimativa de 1100 novos casos diagnosticados por ano nos EUA. A incidência é maior em pacientes idosos, com mediana de idade ao diagnóstico de 63 anos,...

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Main Authors: AP Tavares, FM Marques, MC Seiwald, ACK Vieira, L Perobelli, PA Fernandes, V Pfister, VC Molla, MV Gonçalves, C Arrais-Rodrigues
Format: Article
Language:English
Published: Elsevier 2024-10-01
Series:Hematology, Transfusion and Cell Therapy
Online Access:http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137924008952
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description Introdução: A tricoleucemia (hairy cell leukemia - HCL) é uma neoplasia hematológica rara que corresponde a menos de 2% de todas as leucemias, com estimativa de 1100 novos casos diagnosticados por ano nos EUA. A incidência é maior em pacientes idosos, com mediana de idade ao diagnóstico de 63 anos, e predominância em pacientes do sexo masculino. A doença é caracterizada pela presença de linfócitos B maduros pós-centro germinativo CD5 negativos infiltrando a medula óssea, o baço e o sangue periférico, causando pancitopenia associada à monocitopenia. O diagnóstico pode ser realizado por citometria de fluxo mostrando positividade para CD11c, CD25, CD123 e CD103. Na análise mutacional, 90-100% dos casos apresentam mutação do BRAF V600E. O tratamento de primeira linha é composto por análogos de purinas, como cladribina (2CDA) e pentostatina, com resposta completa em 80 a 85% dos casos e sobrevida global de 90% em 10 anos. A cladribina pode ser administrada por via intravenosa (IV) em infusão contínua por 7 dias ou subcutânea (SC), sendo a neutropenia febril o principal evento adverso. A administração SC tem como principal vantagem não necessitar internação. Material e métodos: Estudo retrospectivo e descritivo de pacientes com diagnóstico de HCL tratados com cladribina em três centros, comparando a segurança e eficácia da aplicação SC com a aplicação IV. Resultados: Foram analisados 48 pacientes, dos quais 42 (88%) eram do sexo masculino. A idade mediana ao tratamento era de 50 anos (variação de 29 a 72). Esplenomegalia foi observada em 83% dos pacientes e hepatomegalia em 10%. A mediana da hemoglobina foi 8,9 g/dL (variação de 3,5 a 14,7 g/dL). A mediana do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento foi de 38 dias (variação de 0 a 287 dias). Foram realizados 53 tratamentos com cladribina, sendo 48 pacientes (90%) em primeira linha e 5 (10%) em segunda linha. A cladribina foi administrada via IV em 31 pacientes (58%) e via SC em 22 pacientes (42%). A taxa de resposta global foi de 96,2%, com 70% atingindo resposta completa (RC) e 26% resposta parcial (RP). Não houve diferença na taxa de resposta entre pacientes que receberam via IV (96,8%) e via SC (95,5%). Após mediana de seguimento de 5 anos, a sobrevida livre do próximo tratamento foi de 87% (mediana não atingida), sem diferença entre os que receberam via IV ou SC (85% vs. 91%, respectivamente). A sobrevida global foi de 98% em 5 anos, também sem diferenças em relação à via de administração. Três pacientes faleceram, sendo dois por doença refratária após três linhas de terapia e o outro por causa não relacionada. Conclusão: A administração SC de cladribina é uma opção eficaz e prática para o tratamento da tricoleucemia, oferecendo resultados comparáveis à via IV. A facilidade de administração SC, sem a necessidade de internação, pode reduzir custos, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e facilitar o manejo clínico, especialmente em serviços públicos e com baixa disponibilidade de leitos e recursos.
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