Vidante: apresentação de um filosofar de candomblé

Criado no doutoramento para apresentar o já existente filosofar de candomblé, “vidante” significa “vida diante do modo de vida do candomblé”, que busca romper com paradigmas epistêmicos do cânone da filosofia tradicional – especialmente no que diz respeito à ontologia, à história e à poética – e ro...

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Bibliographic Details
Main Author: Adeir Ferreira Alves
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 2025-03-01
Series:Griot: Revista de Filosofia
Subjects:
Online Access:https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5254
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Description
Summary:Criado no doutoramento para apresentar o já existente filosofar de candomblé, “vidante” significa “vida diante do modo de vida do candomblé”, que busca romper com paradigmas epistêmicos do cânone da filosofia tradicional – especialmente no que diz respeito à ontologia, à história e à poética – e romper com paradigmas culturais centralistas presentes na cosmopercepção africana (bantocracia e nagocracia). Vidante (representação de pessoas negras, conceito, testemunha) rompe também com a “zona de não-ser” (espécie de política de morte) falada por Frantz Fanon, porque o seu principal objetivo é deslocar as pessoas negras da outridade para um “repatriamento identitário” encantado capaz de produzir cura – ao conduzir as pessoas negras às suas ancestralidades. Vidante entroniza o orixá Logunedé para apresentar o encantamento como filosofar específico no veio onto-epistêmico da cosmopercepção africana que parte do candomblé. O destaque em Logunedé não centraliza o filosofar na tradição iorubana, mas pensa a partir dos diferentes caminhos que esse orixá conflui, e o vidante entroniza Logunedé para vivenciar, expressar, pensar de modo espiralado e encantado – também aos modos de Exú e do Saci Pererê – por esse caminho que segue rumo ao candomblé para falar sobre o repatriamento identitário, ao qual muitas pessoas negras se sentem atraídas para recompor o seu ser – até então fragmentado, expatriado –, ao invés de simplesmente se instalarem em uma arrogada política de vida, mais focada no aspecto político que na vida. Esse texto dá à inteligência negra e à filosofia um signo, sentidos e significados existenciais novos a partir da questão racial negra.
ISSN:2178-1036