As funções da expressão “acho que” na dimensão epistêmica de um debate presidencial

Neste trabalho, analisamos os usos da expressão modalizadora epistêmica “acho que” em um debate eleitoral presidencial. Para isso, articulamos contribuições funcionalistas sobre a expressão “acho que” e estudos sobre os modalizadores e a dimensão epistêmica desenvolvidos no âmbito da Análise da Conv...

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Main Authors: Paloma Bernardino Braga, Gustavo Ximenes Cunha
Format: Article
Language:English
Published: Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos 2025-02-01
Series:Domínios de Lingu@gem
Subjects:
Online Access:https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/75472
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Gustavo Ximenes Cunha
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description Neste trabalho, analisamos os usos da expressão modalizadora epistêmica “acho que” em um debate eleitoral presidencial. Para isso, articulamos contribuições funcionalistas sobre a expressão “acho que” e estudos sobre os modalizadores e a dimensão epistêmica desenvolvidos no âmbito da Análise da Conversa etnometodológica. Conforme nossa hipótese, nos diferentes contextos em que “acho que” ocorre, o sentido básico da expressão enquanto mitigadora do grau de certeza do locutor em relação a dado conteúdo proposicional se particulariza, em função da posição sequencial da expressão, o que revela que a gramática é sensível ao contexto sequencial. O corpus analisado se constitui do primeiro debate das eleições para Presidente da República do Brasil de 2018. Na análise desse corpus, assumimos uma postura êmica, na medida em que privilegiamos o ponto de vista dos interactantes sobre o desenvolvimento da interação, ou seja, o modo como realizam as ações e reagem a elas. No debate, identificamos um total de catorze ocorrências da expressão “acho que”, as quais exercem diferentes funções, por permitirem ao locutor, dentre outras ações, tornar menos agressiva a abordagem de informações que pertencem ao território do interlocutor ou de terceiros; mitigar sua adesão a propostas de um adversário; amenizar seu grau de comprometimento com a informação que defende, ao reparar um turno anterior etc. A partir desses resultados, entendemos que, em todas as ocorrências da expressão, a preocupação do locutor por suavizar uma intrusão territorial o leva a diminuir ou a ceder ao interlocutor os diretos epistêmicos na abordagem de um tópico, o que tem como contraparte semântica a expressão de menor compromisso com o que diz. Porém, esse sentido bastante geral torna-se mais específico, em função das propriedades de cada turno em que a expressão ocorre e da posição que ocupa na sequência (primeira ou segunda parte de um par adjacente).
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spelling doaj-art-2ce4703f5e644599adbd8e5ca35f6a282025-08-20T02:02:09ZengPrograma de Pós-Graduação em Estudos LinguísticosDomínios de Lingu@gem1980-57992025-02-0119e019004e01900410.14393/DLv19a2025-477195As funções da expressão “acho que” na dimensão epistêmica de um debate presidencialPaloma Bernardino Braga0https://orcid.org/0000-0002-1875-9774Gustavo Ximenes Cunha1https://orcid.org/0000-0001-9953-1204UFMGUFMGNeste trabalho, analisamos os usos da expressão modalizadora epistêmica “acho que” em um debate eleitoral presidencial. Para isso, articulamos contribuições funcionalistas sobre a expressão “acho que” e estudos sobre os modalizadores e a dimensão epistêmica desenvolvidos no âmbito da Análise da Conversa etnometodológica. Conforme nossa hipótese, nos diferentes contextos em que “acho que” ocorre, o sentido básico da expressão enquanto mitigadora do grau de certeza do locutor em relação a dado conteúdo proposicional se particulariza, em função da posição sequencial da expressão, o que revela que a gramática é sensível ao contexto sequencial. O corpus analisado se constitui do primeiro debate das eleições para Presidente da República do Brasil de 2018. Na análise desse corpus, assumimos uma postura êmica, na medida em que privilegiamos o ponto de vista dos interactantes sobre o desenvolvimento da interação, ou seja, o modo como realizam as ações e reagem a elas. No debate, identificamos um total de catorze ocorrências da expressão “acho que”, as quais exercem diferentes funções, por permitirem ao locutor, dentre outras ações, tornar menos agressiva a abordagem de informações que pertencem ao território do interlocutor ou de terceiros; mitigar sua adesão a propostas de um adversário; amenizar seu grau de comprometimento com a informação que defende, ao reparar um turno anterior etc. A partir desses resultados, entendemos que, em todas as ocorrências da expressão, a preocupação do locutor por suavizar uma intrusão territorial o leva a diminuir ou a ceder ao interlocutor os diretos epistêmicos na abordagem de um tópico, o que tem como contraparte semântica a expressão de menor compromisso com o que diz. Porém, esse sentido bastante geral torna-se mais específico, em função das propriedades de cada turno em que a expressão ocorre e da posição que ocupa na sequência (primeira ou segunda parte de um par adjacente).https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/75472modalizadoresexpressão “acho que”interação
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