Nominalismo estético: conceito e problemas
Embora o nominalismo seja conhecido fundamentalmente como uma posição sobre o estatuto ontológico dos universais desde sua respectiva querela no pensamento medieval, seu uso na estética remete a problemas que se não emergiram, ao menos tornaram-se proeminentes apenas com o advento do modernismo. Tra...
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| Main Author: | |
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| Format: | Article |
| Language: | Portuguese |
| Published: |
Universidade Federal Fluminense
2025-06-01
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| Series: | Viso |
| Subjects: | |
| Online Access: | https://revistaviso.com.br/ojs/index.php/viso/article/view/642 |
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| Summary: | Embora o nominalismo seja conhecido fundamentalmente como uma posição sobre o estatuto ontológico dos universais desde sua respectiva querela no pensamento medieval, seu uso na estética remete a problemas que se não emergiram, ao menos tornaram-se proeminentes apenas com o advento do modernismo. Trata-se da tendência supostamente imanente à arte modernista à radical individualização das obras. Theodor W. Adorno, em sua Teoria estética (1970), foi provavelmente o primeiro teórico a conceituar o fenômeno enquanto uma tendência real da arte de seu tempo. O filósofo tinha em mente sobretudo a própria autocompreensão do modernismo como uma “tradição do novo” em cujo conceito se encontrava a proibição a formas e esquemas de inteligibilidade pré-definidos, herdados de determinada tradição. Essa autocompreensão teria a tendência a forçar as obras a uma tal singularização até que elas implodissem os próprios limites entre formas, gêneros e mídias, tornando-se tendencialmente incomensuráveis em relação a qualquer princípio de discursividade que transcendesse a radical facticidade das obras singulares. Na visão de Adorno, essa tendência parecia conduzir a uma espécie de aporia histórica do próprio modernismo, particularmente do assim chamado “modernismo tardio”. Desde então, esse teorema tem sido ocasionalmente resgatado por teóricos da arte moderna e contemporânea. Esse é o caso, por exemplo, de Noël Carroll e Peter Osborne, que recentemente evocaram o teorema com propósitos antagônicos, seja para negar a sua validade como um exagero despropositado (Carroll), seja para afirmá-lo como um traço distintivo e incontornável da arte contemporânea ou pós-conceitual (Osborne). Partindo de uma reconstrução da constelação conceitual esboçada acima, o presente artigo tem como objetivo verificar a consistência e produtividade do conceito para a reflexão crítica e filosófica sobre a arte contemporânea. Particularmente, pretende-se interrogar as condições de criticalidade de construtos estéticos a respeito dos quais se possa dizer que eles seguem a mencionada tendência nominalista, para então refletir sobre o destino, a função e o método da crítica de arte contemporânea. |
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| ISSN: | 1981-4062 |