A literatura médica brasileira sobre a peste branca: 1870-1940 Brazilian medical literature about the white plague: 1870-1940

As teorias de Darwin constituem o paradigma escolhido pelos médicos do Sul dos Estados Unidos, quando se debruçaram sobre o tema de diferenças na morbidade e na mortalidade entre as raças após a abolição. Estes médicos teceram considerações sobre a crise de saúde que afetou a população descendente d...

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Bibliographic Details
Main Author: Dalila de Sousa Sheppard
Format: Article
Language:English
Published: Fundação Oswaldo Cruz, Casa de Oswaldo Cruz 2001-06-01
Series:História, Ciências, Saúde: Manguinhos
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702001000200008
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Summary:As teorias de Darwin constituem o paradigma escolhido pelos médicos do Sul dos Estados Unidos, quando se debruçaram sobre o tema de diferenças na morbidade e na mortalidade entre as raças após a abolição. Estes médicos teceram considerações sobre a crise de saúde que afetou a população descendente dos africanos naquela região. O mesmo não se deu com os médicos brasileiros ao tentarem entender e explicar a crise de saúde que afetou a população de descendência africana no seu país. Na verdade, em nenhum dos jornais médicos brasileiros, desde o final da abolição até a década de 1930, pode se encontrar um só artigo onde um médico atribuísse a morbilidade ou mortalidade de seus pacientes negros ou dos negros em geral, a qualquer fonte que usasse um paradigma racial como referência. Os psiquiatras e os médicos eugenistas foram exceção.<br>The Darwinian theories compound the paradigm adopted by the physicians in Southern United States, when they turned to the subject of the differences in morbidity and mortality among the races after abolition. These physicians engaged in thoughts about the health crisis that assaulted the African-American population on that region. The Brazilian physicians, on the other hand, would not try to understand or explain the health crisis that overtook the population descended from Africans on their country. Actually, not a single Brazilian medical journal, since the end of abolition to the 1930s, published an article where a physician indicated the morbidity and mortality of his negro patients, or of negroes in general, as caused by any source related to a racial paradigm. The psychiatrists and eugenicist doctors were exceptions.
ISSN:0104-5970
1678-4758