Cirurgia estapédica na otosclerose: análise de resultados e fatores de prognóstico

A otosclerose é um distúrbio localizado do metabolismo ósseo, que ocorre na cápsula ótica. É responsável pelo desenvolvimento de surdez de condução e neurossensorial, sendo a cirurgia estapédica considerada a intervenção terapêutica goldstandard. O objectivo do presente estudo foi avaliar os resu...

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Main Authors: Diogo Valente Dias, Miguel Padrão, Margarida Bulha, José Romão, Luísa Azevedo
Format: Article
Language:English
Published: Portuguese Society of Otolaryngology and Head and Neck Surgery 2025-03-01
Series:Revista Portuguesa Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Subjects:
Online Access:https://journalsporl.com/index.php/sporl/article/view/2202
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Description
Summary:A otosclerose é um distúrbio localizado do metabolismo ósseo, que ocorre na cápsula ótica. É responsável pelo desenvolvimento de surdez de condução e neurossensorial, sendo a cirurgia estapédica considerada a intervenção terapêutica goldstandard. O objectivo do presente estudo foi avaliar os resultados da cirurgia estapédica, procurando identificar fatores de prognóstico. Foi desenhado e conduzido um estudo descritivo, transversal e retrospetivo de uma coorte de doentes com diagnóstico de otosclerose (N=98). Foram analisadas as seguintes variáveis: idade à data da cirurgia, sexo, bilateralidade da doença, presença de entalhe de Carhart, material protésico utilizado, presença de variantes anatómicas e complicações intra-operatórias, resultados audiométricos e sucesso funcional. A taxa global de sucesso funcional (definido como um GAP médio entre via aérea e via óssea < 15 dBHL) foi de 89,80% (n = 88).  Em termos audiométricos, os limiares de via aérea (PTA 500, 1000, 2000 e 4000 Hz) passaram de 55,14 ± 1,42 para 32,00 ± 2,01 dBHL (p < 0,001, t-student amostras emparelhadas) e os limiares de via óssea (PTA 500, 1000, 2000 e 4000 Hz) passaram de 25,98 ± 1,07 para 24,09 ± 1,33 (p = 0,270, t-student amostras emparelhadas) dBHL, entre os valores pré e pós-operatórios. O GAP via aérea/via óssea diminuiu de 29,16 ± 0,79 para 7,91 ± 0,88 dBHL (p < 0,001 t-student amostras emparelhadas) entre o período pré e pós-operatório. No nosso estudo a única variável que influenciou significativamente o principal resultado (sucesso funcional) foi a presença de variantes anatómicas e/ou complicações intra-operatórias, correlacionando-se negativamente com o sucesso funcional. A estapedotomia/estapedectomia é um procedimento eficaz, com elevadas taxas de sucesso funcional. A presença de alterações anatómicas e/ou complicações intra-operatórias é um factor preditor de menor ganho audiométrico e menos sucesso cirúrgico
ISSN:2184-6499