Custos e Consequências da Doença Renal Crónica em Pessoas com Diabetes em Portugal: Um Estudo de Modelação

Introdução: A doença renal crónica é a doença crónica com maior crescimento de prevalência, e uma das maiores causas de mortalidade global de acordo com o Global Burden of Disease Collaboration. O presente estudo teve como objetivo projetar a evolução desta doença em pessoas com diabetes, de modo a...

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Main Authors: Margarida Borges, Edgar Almeida, Rui Alves, Raquel Ascenção, Miguel Bigotte Vieira, Carolina Bulhosa, João Costa, Gonçalo S. Duarte, Luís Falcão, Manuel Pestana, João Raposo, Filipa Sampaio, Josefina Santos, Ana Paula Silva, Luís Silva Miguel
Format: Article
Language:English
Published: Ordem dos Médicos 2025-05-01
Series:Acta Médica Portuguesa
Subjects:
Online Access:https://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/22573
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Description
Summary:Introdução: A doença renal crónica é a doença crónica com maior crescimento de prevalência, e uma das maiores causas de mortalidade global de acordo com o Global Burden of Disease Collaboration. O presente estudo teve como objetivo projetar a evolução desta doença em pessoas com diabetes, de modo a quantificar os custos e consequências no contexto português. Tal foi conseguido através do desenvolvimento e parametrização de um modelo analítico refletindo a epidemiologia da doença renal crónica e integrando os vários estádios de progressão da doença. Métodos: Foi utilizado um modelo populacional de coorte com uma mecânica de Markov, onde pessoas com diabetes e doença renal crónica foram seguidas ao longo de 50 anos, em ciclos anuais, sendo registada a sua progressão através das diferentes categorias de risco da doença renal crónica. O modelo considerou a progressão natural da doença renal crónica através de 18 categorias de risco baseados na matriz de estadiamento de KDIGO, bem como a probabilidade de os doentes receberem terapêutica de substituição renal, designadamente, diálise e transplantação renal e a probabilidade de morte. A cada estádio estão associados um custo anual e um ponderador de incapacidade, pelo que o modelo permitiu estimar a sobrevivência, os anos de vida perdidos por incapacidade (years lived with disability), e os custos incorridos ao longo da vida, para a totalidade da população e para doentes em diferentes categorias de risco. Resultados: Durante o tempo total de evolução da coorte, o modelo estimou, para a população total com doença renal crónica e diabetes, uma sobrevivência média de 8,62 anos, com 0,59 anos perdidos por incapacidade, e um custo médio lifetime de €24 613. Estes valores correspondem a mais de 410 mil anos de vida perdidos por incapacidade e um custo total, ao longo da vida, de 17,0 mil milhões de euros. A análise por nível de risco demonstra que a progressão da doença renal crónica está associada a menor sobrevivência, mais anos perdidos por incapacidade e maiores custos. Conclusão: Os resultados deste estudo caracterizam a progressão natural da doença renal crónica em pessoas com diabetes mellitus tipo 2 bem como os custos e consequências associados no contexto nacional. Sendo a diabetes mellitus tipo 2 um fator de risco da doença renal crónica, é expectável que nas próximas décadas o impacto real seja maior do que o estimado. A análise por nível de risco permite verificar que a progressão da doença está associada a piores resultados.
ISSN:0870-399X
1646-0758