0 tratamento em Curitiba: o pronome zero
Ao longo de 1986, realizamos em Curitiba uma sondagem sobre o uso das formas de tratamento em situações de abordagem face a face. Além de suscitar problemas metodológicos, essa investigação conduziu a algumas constatações até certo ponto surpreendentes. É o que procuraremos mostrar nas páginas...
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| Main Authors: | , |
|---|---|
| Format: | Article |
| Language: | English |
| Published: |
Universidade Federal de Santa Catarina
1988-01-01
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| Series: | Ilha do Desterro |
| Online Access: | https://periodicos.ufsc.br/index.php/desterro/article/view/8920 |
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| Summary: | Ao longo de 1986, realizamos em Curitiba uma sondagem
sobre o uso das formas de tratamento em situações
de abordagem face a face. Além de suscitar problemas
metodológicos, essa investigação conduziu a algumas
constatações até certo ponto surpreendentes. É o
que procuraremos mostrar nas páginas que seguem.
A Coleta de Dados
0 estudo sociolinguístico do tratamento é dificultado pela própria natureza do fenômeno em exame.Diferente de um fonema ou de uma estrutura sintática, que podem ocorrer inúmeras vezes ao longo do depoimento de um mesmo informante, o tratamento e de baixa frequência, visto que se restringe, usualmente, as eventuais referências ao interlocutor. Assim, não se colhem dados significativos junto a um informante tornado isoladamente, que se, podera conferir tratamento ou ao pesquisador ou a pessoas citadas no discurso. No primeiro caso, a pessoa é sempre a mesma o inquiridor, frustrando assim o exame da variação do tratamento segundo as características do interlocutor; no segundo, os alvos podem ser desconhecidos do inquiridor, de sorte que a interação escapa a possibilidade de controle. Ou
ainda, o informante reproduz ou simula cenas de abordagem,
o que não equivale a situações reais, pois nessas simulações o falante diz o que julga que teria dito ou diria, e não o que efetivamente disse ou diria. 0 recurso ao informante em dialogo com o inquiridor produz, portanto, resultados de escassa importância, seja em quantidade seja em naturalidade. A primeira vista, a solução estaria em portar-se
o pesquisador na condição de mero observador, acompanhando diversas situações naturais de interação entre dois ou mais informantes. Mas, quando se tenta esse caminho, logo se percebe sua inviabilidade em termos práticos. |
|---|---|
| ISSN: | 0101-4846 2175-8026 |